terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Unicórnios no meu jardim


Fernando Pessoa é quem tinha razão. Sinto-me tal qual seu pensamento, e vejo hoje que o que há ao meu redor é, também, do mesmo jeito que o poeta descreveu. Não importa o quão perfeito sejamos, o quão românticos sejamos, o quanto a felicidade nos seja um dom nas mãos pronta para ser entregue a quem deseja... somos uma jóia rara – e me desculpem a falta da modéstia – que ninguém consegue observar.

Hoje acordei e olhei pro meu jardim com um sentimento de tristeza. Lá estavam todas as flores, brilhantes, pulsantes e cantantes. Borboletas púrpuras e turquesas polinizavam as belas orquídeas de quase um palmo de tamanho. O perfume era agradavelmente inebriante. E junto dos pequenos anjos que as regavam, vi pequenos unicórnios alados, felizes, beijando as flores com seus chifres mágicos.

Parei por um instante na beirada do meu jardim, com meu All Star vermelho xadrez, e me lembrei de como as pessoas “estranhas” como eu são raras. Fitei os unicórnios e os anjos e pensei: onde estão aqueles que podem contemplá-los? – e me entristeci. Esta é uma vida solitária, ser feliz. Não é todo mundo que está preparado para o sorriso matinal, a gentileza cotidiana e o otimismo ao longo da vida. Não é todo mundo que poderia ficar bem, transpondo os mais altos obstáculos da existência, sempre com êxito excepcional.

Às vezes penso que o mal da sociedade é estar triste, por vontade própria. É uma pena... Eu queria tanto alguém sentado ao meu lado enquanto vejo estes unicórnios. Às vezes eles fazem tanta palhaçada, que choro de tanto rir.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Draw with me



[o] Você pode escrever?
[a] Lógico, dã!
[o] E desenhar?
[a] Sim! ;*
[o] Esta não parece você! [ tábua ]
[a] ò.Ó

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[o] Isso foi gelado...
[o] Eu quero estar com você...
[a] Você está comigo!
[a] Há apenas um vidro nos separando!

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[a] Você está ok?
[o] ...
[a] Quer desenhar?
[o] "Eu nõa posso masi"...

-------

[a] Pra você!
[a] Desenha comigo!

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Há apenas um vidro intransponível entre nós.
A gente pode escrever. A gente pode desenhar.
Mas... It feels cold...
I wanna be with you! Can I go to your side?

Pobre Pierrot que as vezes chora e as vezes sorri



Sabe, às vezes penso que você me usa! E usa tão bem e com tanta maestria, que me culpo por ser tão seu. Às vezes, juro, chego a pensar que seu nome foi criado apenas para que eu repita com lágrimas nos olhos e sorriso bobo na face. Um nome suave, mas que enche a boca como se fosse uma tormenta ou um cabernet sauvignon. Sinto os trovões no céu da boca e as uvas maduras na língua.

Difícil, pra mim, é te ver de longe, assim. Chorando, caindo, sofrendo às vezes, noutras rindo. E não ser aquele quem te acompanha... dói demais. Antes me contentava em apreciar seus olhos num retrato em preto e branco. Agora, que vi as cores da sua pele e senti o perfume caprichoso de sua pele, tudo fica mais difícil.

Vejo imagens e estendo as mãos mentalmente, como se fosse pegar algo. Como se fosse tocar seus cabelos, a areia, a água, seus lábios. Não saber se você está mal ou bem, simplesmente não saber, me atormenta. E confesso: atormentar-me-ia da mesma forma se soubesse. Se estiver bem, vou sofrer, pois sua voz e sorriso élficos são tão lindos, que encheriam o coração dos pobres humanos ao seu redor. Mas se estiver mal, sofrerei, por não estar por perto e te abraçar, e te lembrar que é bom ser criança às vezes, e correr com você pela orla vazia à noite...

Antes de partir, você me pediu para ser a primeira pessoa a ver meu sonho realizado. Pois ele se realizou e está bem aqui, do meu lado. Não mostrei pra ninguém, e nem vou mostrar. Eu o prometi para você, será seu. Espero que goste...

Que bobagem, olho para meu nariz no espelho e sorrio. Estou sorrindo agora, e nem sei o motivo...

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Últimas palavras de um poeta prestes à morrer, de novo!

Alguém já me pediu “amor eterno” e eu não dei. Pois o amor que tenho é tão sagrado, e tão puro, que não ousei dividi-lo com ninguém. Nada poderia interceder no que sinto, posto que é chama que pulsa e incinera as outras certezas. Embora fique restrito ao seu nome, já que não permito vazar pelo mundo este sentimento, é forte o suficiente para consumir a minha alma.

E já me ofereceram toda riqueza e eu não quis. De nada me adianta as coisas da Terra, se a única coisa material que desejo é seu corpo. Livre do que quer que seja que me impeça de sentir o perfume ou os tons caprichosos de sua tez. Quero apenas seus poros em meus poros, sua boca na minha pele e minhas mãos em seus cabelos. Possuir-te, não no sentido de tomar sua vida como posse minha... mas no sentido de estar em sua alma e sentir o tilintar dos metais que carrega na memória, dentro da minha própria.

E até teve alguém que simplesmente quis me adorar, mas eu não deixei. Este poeta louco, amarrado com cordas no meu íntimo, deve permanecer ali, sem platéia. Mato o que sinto todas as manhãs, para que possa me concentrar por todo o resto do dia. Mas cai a noite, e você vem, e eu chego a ouvir sua voz doce e seu riso forte. Seus olhos de retrato em preto e branco me dizendo tudo o que pensa, e o que gostaria de pensar... é quando da escuridão da masmorra, entre celas de desgraçados e degenerados, surge a voz melodiosa do poeta que se põe à cantar...

A verdade é que te quero como alguém que quer morrer de tanto amar. Talvez não morrer, mas transcender a carne e a mente, a alma e o pensamento. Quero te amar tão profunda e vorazmente, que em pouco tempo nossos sonhos se tornem os mesmos e nossas mãos se encontrem sob os cobertores. E descompromissados, nossos risos se soltem pela vila, brincando de voltar a ser criança.

Nem sei se posso ou devo admitir, mas “te amo”, e me faz bem saber amar, nada é melhor. Pois meu sossego se transforma em adrenalina e meu sangue ferve. Minha vida fica mais ativa, meu organismo se desorganiza. As vezes tento dormir, solitário, e sem sono, mas tão feliz por ter você. É bom te pertencer, e as vezes eu nem sei porque...

E eu só quero que você goste de mim, metade da metade do que eu gosto de você. Que ainda assim, já seria muito mais do que alguém possa compreender um dia. Isto seria o equivalente à gostar de alguém ao infinito! Quero que você goste de mim, e deixe o seu amor interceder no meu amor, o seu humor furtar a nossa cor, e sua voz embriagar os meus sabores. E nada será mais bonito que nós dois amando assim...

Por favor, me cale... me beije!

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Este pode ser um dos últimos posts deste ano, já que estou com muitos trabalhos (inclusive viagens! Olha que chique). Aqui a coisa anda apertada, muito trabalho pra fazer, e quase nada resolvido (mas tudo simples de se resolver). Como e durmo no local do serviço pra evitar perda de tempo com deslocamento, e já cogitam de colocar a máquina de café na minha mesa, para evitar que eu me distraia no caminho da mesa à copa (¬¬). Daqui a pouco, penso que vão me alimentar por tubos instalados no meu organismo cirurgicamente, para evitar que eu perca tempo com coisas corriqueiras como almoço e jantar...

Evidentemente este post foi “criado” tendo como base uma música sertaneja (Metade da Metade – Bruno & Marrone), e este também pode ser um motivo para que eu não apareça aqui por algum tempo! Hehehe... Mas em minha defesa, eu alego que esta música parece mais um tango do que música sertaneja, e tango eu gosto.

domingo, 29 de novembro de 2009

Tendencia a te pressionar

Sai de si, por favor, e vem curar logo este meu mal. Sinto que estou transbordando de carinho e gentilezas por você, e isso tudo parece que vai me consumir. Há este tal de abraço preso nos meus braços, bloqueando a energia de meus músculos. E há até um beijo, escondido, no pescoço, pra te oferecer. Há palavras de carinho e romance no meu peito, porta aberta pra você passar, flores no café da manhã, presentes que eu vi na rua e me fizeram lembrar de você, e eu insisto em matá-los um a um, antes que me façam materializá-los...

E em minha mente eu deixo seu som passar pelas barreiras do inconsciente, e te ouço rindo. Riso cristalino que me deixa mais feliz, como se o mundo ganhasse cor. E teu riso me faz lembrar fadas, vagalumes e estrelas. E uma rosa racha o botão e se abre em flor, por que teu riso despedaçou as barreiras que a faziam ser tão pequena na roseira. E meu coração vai junto, no mesmo embalo, se rachando e comprimindo, até se abrir com um riso meu também.

Anda logo e vê se põe um pouco de juízo em mim. Ou um pouco de juízo em nós. Ou que nossa inconseqüência se anule, e nos transformemos em um grande caos. Onde seus cabelos surjam em minhas mãos e minhas costas em suas unhas, e minhas palavras em sua boca e seus pensamentos em minha mente. Acho que foi aquele teu olhar na foto em preto e branco que me tirou do centro, ampliou minha mente pro mundo, e me fez ver mais do que eu poderia agüentar.

Você sabe que agora eu só quero um pouco mais. Não se preocupe, não vou querer tudo, pois não vou querer perder toda a graça da surpresa que me trará. Na verdade, pode vir de você só mais um pouquinho, desde que tudo isso seja só pra mim, pode vir sim. É que com este pouco eu vivo feliz e pleno. Satisfeito! Mas que seja só pra mim, sim!

Olhe só, como nossa mente parece crescer em encantos, como a noite que coroa nossa conversa. E que toda essa distância torna física a distância entre tantos outros sentimentos que tenho e que você... bem... talvez?! Mas deixa que tudo isso se divida em meio a todos os outros sentimentos, e sonhos. E deixemos que o sonho nos transforme e transforme nossa história... assim como me transformo, quando penso em você.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Um lugar ao Sol


Feito um lagarto eu me entreguei ao Sol nesta manhã. Acordei cedo o suficiente para vê-lo nascer, e refestelei-me sobre a pedra quente, para receber dos raios o calor. Sangue frio? Não mais. O arrepio em minha pele, com o vento da manhã, fazia surgir minhas escamas gastas de batalhas e galhos secos que me roçam. Quando vi o perigo aproximando-se, mudei de cor.

Meus olhos se viraram para fitar o céu azul, enquanto sentia pelo tato dos pés e mãos, as vibrações da Terra. Sentidos divididos. O prazer nunca concebido da dualidade dos sentimentos. Sim... eu pude sentir o amor e a carne, o fogo e o vento, o silêncio e o movimento, o homem e a mulher. Agarrei-me à árvore com minhas garras afiadas com tanta força, que a seiva escorreu entre meus dedos.

Cacei insetos, pequenas aves, anfíbios e outros répteis como eu. Sim, eu comi outros lagartos, também. Eu criei armadilhas ardilosas, pus iscas criativas, montei tocaia em sua sala de estar. E quando o suculento objeto do meu desejo se fez nu perante meus olhos, devorei vorazmente, como quem precisa armazenar sustento, para depois não fraquejar. Cavei um buraco para enterrar os corpos, mas dormi sobre eles também... para digerir melhor.

Como um lagarto, quando as coisas apertaram, me invertebrei. Torci meu corpo, minha mente e toda a alma para atravessar a pequena fenda. Ataquei com presas meus inimigos e lambi-lhes a carne com saliva venenosa. Beijei a boca dos vilões com meu sangue infectado para lhes transmitir a amargura da minha carne, afim de que desistissem de me devorar. Até larguei um pedaço de mim para trás para despistar os predadores... mas quer saber? Nem chorei!

Vai nascer outro pedaço no lugar.

domingo, 22 de novembro de 2009

Quelqu’un m’a dit

Estava ouvindo “Quelqu’un m’a dit”, da Carla Bruni, e me lembrei de você – não que eu esteja insinuando algo sobre a letra, que fala “alguém me contou que você me ama” (ou alguma coisa assim), mas é que o francês me faz lembrar de você de qualquer forma. É um desejo secreto meu – melhorar meu francês, e não você – e como você tem tanta relação com esta língua, a ligação é inevitável.

A verdade é que me perdi no meio do emaranhado de acontecimentos. Tantos bons, e tantos nem tanto. E estou caminhando num rumo que desconhecia até então. Por exemplo, a vida tem me arrastado para “fisicamente” mais perto de você, ao mesmo tempo em que sua terapeuta te orienta a me “afastar” de seu coração. O destino, às vezes, é meio sádico, não é?

Entendo que você esteja tentando se livrar de sua obsessão por mim. Acho isso importante, inclusive. Nossas teorias sobre nossos papéis em vidas passadas são tantas, que já não sabemos mais se temos uma amizade, um amor ou um kharma. Esta confusão toda entre suposições, fantasias e ilusões, esta mesclada aos acontecimentos reais, e isso deixa tudo mais difícil de desembaraçar.

Lentamente eu consegui, por exemplo, desligar o cordão que nos ligava. Hoje eu posso chorar de desespero no meu quarto, sem o perigo de receber um e-mail seu, no dia seguinte. Agora tenho um pouco de privacidade para sofrer, sem que você precise sentir aí, do outro lado do mapa. Talvez este seja o motivo de eu estar escrevendo isso agora... sem esta ligação, eu precisava fazer chegar às suas mãos esta mensagem.

Vou respeitar seu momento, sua necessidade de se desligar de mim. Embora meu afastamento inicial não tenha sido intencional... a vida me arrastou para outros caminhos, e quando eu parava para te escrever, alguma coisa me tirava do lugar. E assim fui vendo seu desespero com meu silêncio, sua raiva, até culminar em sua decisão. Então entendi: era o destino me fazendo te dar tempo para decidir alguma coisa.

É importante, mesmo, que organize sua mente e suas prioridades. Eu não posso mais ser um fantasma na sua vida, te impedindo de ser feliz como você escolheu. Então vá, que eu vou também – pra outro lado. Vá e seja feliz, pois eu estou tentando ser também. Viva bem e intensamente, que eu vou estar logo ali, cuidando de meus negócios.

Se te tranqüiliza saber, estou bem. Sem choro, sem sofrimento. Estou me cuidado, e caminhando. Sendo assim, dê paz para si. Me esqueça. E viva feliz! É tudo o que desejo para você.

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Veja bem meu bem, arranjei alguém chamado “Saudade”

Desapaixonado. É, desagradável, dói um pouco, incomoda. Mas é a realidade irrefutável. Estou “desapaixonado”.

Foram-se as flores, os desenhos, os passarinhos verdes. Adeus às músicas românticas, os sininhos na mente, os sorrisos bobos ao longo do dia. Nunca mais – por enquanto – os chocolates, os sonhos, as declarações. É triste dizer, mas acho que não terei mais tremedeiras, palpitações, suor frio nas mãos, bochechas rubras de timidez... nem a típica gagueira do nervosismo. Coração aquietou-se no peito e voltou a ser apenas um órgão vital, e não mais um centro energético que irradiava luz ao meu redor.

Não é que eu esteja sofrendo. Isso, não. Só fico chateado por quem perdeu todo o meu potencial como amante. Não é que eu seja assim, tão excelente... mas eu tinha tanta energia para gastar, e havia ficado tão feliz, que acho que seria capaz de chacoalhar o mundo de alguém. Talvez algumas pessoas se dêem melhor com o tédio. “Fazê o que”?

Agora voltarei a caminhar pelas ruas naturalmente, sorridentemente, apenas desejando felicidade pelo meu próprio dia (e não mais para o meu e o seu). Quem sabe não tropeço, num dia desses, num desses encontros casuais, em uma outra possibilidade de amor?

Não me deixes só.
Que eu tenho medo do escuro.
Eu tenho medo do inseguro,
dos fantasmas da minha voz.
Não me deixes só...

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Eu não gosto de crianças

Todo mundo sabe que eu não gosto muito de crianças. Não é que eu não goste delas... acho que, na verdade, elas é quem não vão muito com a minha cara. Adoro crianças, quero ser pai um dia, mas sou obrigado a dizer que não gosto delas, pois é frustrante tentar brincar ou chamar a atenção, e receber apenas desprezo, ou um choro sentido, como se eu fosse machuca-las. Mas tanto faz...

Se tem algo que eu não goste mais do que crianças, são adultos infantilizados. Eles sim, são uns pés no saco!

Eles se recusam a entender os seus momentos. Eles não oferecem apoio. Eles são birrentos, briguentos e chatos. Eles não são capazes de olhar para você e compreender que talvez você precise de um amigo(a) para conversar. Eles nunca tem tempo para um amigo, apenas para seus problemas – que geralmente são fúteis e desnecessários. Eles são pessoas desnecessárias.

Não importa o que você diga ou faça por eles, faltará alguma coisa. Eles querem mais de você! Eles querem o brinquedo, o doce e o carinho que você deu pra outra pessoa – pois são invejosos, como crianças mimadas. E eles fazem bico. E eles esperneiam. E eles melindram-se. Ficam chatos, chorosos, revoltados com você. E por mais que seus argumentos sejam racionais... eles querem manter o climão “ninguém-tem-paciência-comigo”.

Adultos infantilizados são reizinhos e rainhazinhas. Eles julgam, mandam, ferem, ordenam decaptações... por puro capricho. São caprichosos demais.

Adultos infantis viram a cara, batem o pé, e não voltam atrás. Eles não aprenderam o bom senso, a humildade, ou pelo menos o pensamento estratégico que a maturidade concede.

Só um aviso para os adultos infantilizados: Peter Pan não existe! Você envelheceu sim, não é mais um adolescente. Comporte-se como tal.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

“Me desculpe o auê. Eu não queria magoar você...” (Rita Lee)

Eu ia escrever uma frase, que sei que é uma frase clichê, e sinceramente, não consegui pensar em nada mais adequado. Na verdade é uma frase adequada, mas por ser clichê, eu não queria coloca-la aqui... Sabe como é, né? Maldita obrigação (geralmente auto-imposta) de ser criativo, inovador etc. E até isso é um clichê entre nós publicitários.

Engraçado, entrei no assunto sem querer, pois eu ia justamente falar dos “papéis” que assumimos durante nossas vidas. Os diversos personagens em que nos transformamos ao longo da história, e como isso se reflete naquilo que chamamos de destino. Repare que aqui eu atribuo ao termo “destino” o significado de “resultado da equação chamada vida”. Ou melhor, como um efeito de nossos próprios atos, e nada daquela coisa de predestinação, “estava tudo escrito” e bla bla blá whiskas sachê.

Porém, como papéis, eu não me refiro necessariamente à mentira, aos personagens que inventamos, à falsidade em si (e isso me lembra que ainda não falei a frase, né?). Refiro-me sobretudo aos papéis que ocupamos, sem querer, ao longo da vida. O filho, o marido, a amiga, a confidente, a vítima, o algoz etc.

O que conto agora tirei da minha própria vivência, por exemplo...

Acostumei-me a ser compreensivo, pacífico, amigo e confidente. A “maldita” educação que mamãe me deu, me impede de soltar cobras e lagartos, falar palavrões nos momentos de raiva (embora eu fale um monte deles em outros momentos), ou de dizer um simples “não”. Não sei fazer isso! Estou sempre disponível, sempre pronto, sempre sorrindo para ouvir os problemas alheios, me preocupo, me entristeço e sofro junto de meu interlocutor para resolve-los. Eis que surge a questão: e quem ouve os meus? Serei eternamente dependente de um terapeuta?

Para a maioria das pessoas acabo transmitindo uma imagem de sabedoria, paciência, reflexivo. No momento de maior desespero (ou de banalidade), essas pessoas sabem que podem contar com meu colo, meu ombro, meu sorriso. E assim eu vou arquivando problemas alheios em meus bancos de dados, e sofro com eles. E assim construo uma figura forte e inabalável, sempre de pé, sempre a postos!

Dessa forma, acabo “me proibindo” de demonstrar fraqueza para algumas pessoas para as quais sirvo de apoio. Ou não demonstro tristeza para aquelas pessoas que contam com a minha animação. E não demonstro raiva ou inquietação para aquelas pessoas que precisam de minha calma... esse é meu papel dentro da vida delas, e eu “não posso” sair dele.

Eis que, as vezes, algumas pessoas me confundem. Se mostram amigas, mas que não podem ouvir meus reclames, me oferecer o mínimo de apoio. Se mostram prestativas, mas não tem a mesma paciência comigo, que dispenso à elas. São pessoas que fingem um papel, que encobre o papel real, e me fazem agir de forma irresponsável com o papel no qual me inseri. E assim as relações se quebram.

Como diria minha irmã: “É por razões óbvias que a gente escreve...”. E me desculpem, mas até esqueci qual era a frase que eu (não) queria citar... melhor assim.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

“Não sei o nome, mas é aquela flor que tem um monte de pelinho que voa”

Viver a vida é uma arte. E eu não estou me referindo àquela novela das 20 horas (que começa por volta das 21 horas). Digo que quem sabe viver efetivamente a vida que tem, é um artista. É um Mozart da existência. E digo mais: quem sabe fazer isso, tira da vida o que ela pode oferecer de melhor, sem se preocupar com isso. Acontece naturalmente.

Para meu completo desespero, sou do tipo controlador. Aquele cara que PRECISA saber o que está acontecendo ao redor. Que fica tenso se alguma coisa não acontece perante sua insistente vontade ou ação. Por isso, não preciso dizer o quanto me frustro na vida, certo? Nem tudo aquilo em que acredito é fixo. Nem tudo aquilo que controlo será submisso para sempre. Nem toda a força que tenho será minha...

Atualmente me sinto como uma criança, sendo arrastada por um supermercado. Meus braços curtos as vezes quase alcançam aquele chocolate delicioso na gôndola... mas uma força estranha, que me leva a cantar, me arrasta abruptamente para a próxima gôndola. E quando me refaço do susto, vejo um novo produto que me interessa, e estico os braços na mesma proporção em que abro um sorriso... e a força me puxa outra vez, para a próxima gôndola.

É como se eu fizesse planos pra vida. Gastasse energia e cérebro para coloca-los em prática. Chegasse bem perto daquilo que queria... e então a vida simplesmente acontecesse, indiferente a estes planos, me arrastando para onde ela bem entende. Como se eu fosse uma semente de dente de leão, soprada por uma criança traquina, só pra me ver ser levado e cair... e fecundar o solo... onde a natureza quiser...

Crescer, florescer, virar semente novamente, e ser levado pelo vento... incessantemente. Isso cansa.

Nota: Desculpe. Estou meio sem chão para comentar os comentários hoje. Obrigado!

domingo, 18 de outubro de 2009

Por razões óbvias...



Algumas razões de ser e acontecer são tão óbvias, que as pessoas costumam ignorá-las. É partir do pressuposto de que já se sabe aquela verdade, afinal ela é tão evidente, que acabamos deixando que ela se minorize e suma no emaranhado de importâncias que pairam em nossas considerações. Por exemplo (a quem possa interessar):

- É por razões óbvias que eu tenho um problema com horários. Partindo do princípio que eu trabalho de madrugada, nada mais natural que eu precise de uma ajuda (uma ligação, que seja) para estar pronto no horário certo. E é por razões óbvias que em meia hora eu não esteja pronto. Partindo do princípio de que sou um paciente pós-operatório, nada mais óbvio que eu demore 15 minutos para fazer aquilo que fazia em 5 minutos, mas...

- É por razões óbvias que eu aceitei o serviço que eu não poderia aceitar. Partindo do princípio de que você é quem eu amo, é lógico que eu vou tentar ajudar. Nada mais natural, portanto, que você perceba minha boa vontade e esforço, ao invés de me tratar como se eu estivesse fazendo nada mais que minha obrigação – por pagamento, mas...

- É por razões óbvias que eu não posso ser seu amigo. Partindo do princípio de que você me traiu de todas as formas possíveis e imagináveis, abusou da minha confiança, e ainda usa as pessoas ao seu redor para garantir o sustento do seu “sucesso”... é natural que eu fuja de você como o Diabo foge da Cruz, mas...

- É por razões óbvias que eu não te dou mais atenção, meu anjo. Eu me revelei apaixonado por você, e diante de sua impossibilidade de se apaixonar por mim, nada mais natural que eu me afaste lentamente. Afinal, é doloroso demais ter você assim... só pela metade... mas...

- É por razões óbvias que eu me afastei de você, e não posso ser mais o seu “Tonzinho”. Além de você já ter um amor em sua vida, este relacionamento sempre foi platônico de minha parte, eu sempre soube. Mas você não precisava quebrar o encanto da poesia, me colocando no meu devido lugar... mas...

- É por razões óbvias que eu gostaria de estar aí, junto de você. Mesmo dentro de sua natureza “bipolar”, tenho a impressão de que você expressa ao menos um pouco de carinho por mim, seja lá qual for a face que esteja na superfície, fazendo você agir. É reconfortante saber que posso ser acarinhado por alguém, seja pelo seu lado bom, ou pelo seu lado “mau”... mas...

- É por razões óbvias que eu não te mandei nenhum e-mail até hoje. Sei que você vai ler nas entrelinhas de meus textos, e em seus sonhos eu sempre apareço dando pistas de como estou. Não quero mais te procurar quando estou mal, ou te deixar mal por não estar bem. Também não sou uma novela que você pode seguir, mesmo que por preocupação. Temos que viver... e não pode mais haver simbiose, mas...

- É por razões óbvias que eu ainda não fui te visitar. Te amo com toda a minha alma, mas você, hoje, representa algo que eu temo. Você deu um passo em direção à vida adulta e responsável, você gerou outra vida. Eu ainda estou relutante, meio Peter Pan, querendo ficar aqui no meu mundinho encantado... e como você representa tanto pra mim, te ver crescida vai me obrigar à crescer. Eu preciso disso, mas...


... é tão difícil fazer a coisa certa!

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Obrigado pelos comentários! E vamos comentá-los, então...

Anônimo: Pois é... rsss... eu também queria muito receber um texto assim de alguém também! ^^ Bjus!
Mãeteiga Derretida: Novidades "médias", serve? rsss
Cris: ^^
Cah: =/ E de que adianta ficar lindo apaixonado... se me sobra tanta falta...

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

L'ombre de ton chien... Je ne regrette rien...

Je ne vais plus pleurer / Je ne vais plus parler / Je me cacherai là
A te regarder / Danser et sourire / Et à t'écouter / Chanter et puis rire
Laisse-moi devenir / L'ombre de ton ombre / L'ombre de ta main
L'ombre de ton chien...¹
¹) Eu não vou mais chorar / Eu não vou mais falar / Eu me esconderei lá / Para te contemplar / A dançar e sorrir / E para te ouvir / Cantar e então rir / Deixa que eu me torne / A sombra da tua sombra / A sombra da tua mão / A sombra do teu cachorro...


Eu fico aqui, não me importo. Fico aqui aguardando sua boa vontade, seu despertar, sua coragem. O que tenho para te oferecer, certamente, homem outro nenhum tem. Mas não se preocupe. É seu.

Eu tenho a experiência em saber o que você sente. Tenho a experiência em compreender o que você pensa. Cada passo que você dá, cada mudança de humor. Sei do seu jeito moleque de ser, e da sua mente confusa com tantas dores e desgastes. Mas eu não me importo. Pois sei, também, aguardar. Pois sou seu, e de outra pessoa não posso mais ser.

Já me desfiz dos meus passados. Je ne regrette rien. Ni le bien qu'on m'a fait, ni le mal - tout ça m'est bien égal. Je ne regrette rien, c'est payé, balayé, oublié, je me fous du passé. Avec mes souvenirs, j'ai allumé le feu. Mes chagrins mes plaisirs, je n'ai plus besoin d'eux. Balayés mes amours, avec leurs trémolos. Balayés pour toujours, je repars à zéro... Non, rien de rien. Non, je ne regrette rien. Car ma vie, car mes joies, pour aujourd'hui ça commence avec toi!²

Estou “tão seu” agora, que me dói o peito ficar assim longe. Doces paixões. Me dói o estômago quando me ponho a ver suas fotos, tão cheias de beleza e delicadeza, que chego a sentir seu perfume. Mas espero pacientemente por sua decisão.

Espero, sinceramente, que me diga: “sim, também sou pra você”... e nesse dia eu caio feliz no mundo. Caso diga “não, desculpe, não fomos feitos para ficar juntos”, caio triste no mundo, mas vou sobreviver. Sempre sobrevivi, você agora bem o sabe.
Sendo assim, não me resta mais nada, a não ser esperar. Esperar. E esperar. O dia do seu juízo final sobre mim, que sou seu.

²) Não! Eu não lamento nada. Nem o bem que me fizeram, nem o mal - isso tudo me é igual! Eu não lamento nada, está pago, varrido, esquecido, não me importa o passado. Com minhas lembranças acendi o fogo. Minhas mágoas, meus prazeres, não preciso mais deles. Varridos os amores e todos os seus "tremolos". Varridos para sempre, recomeço do zero... Não! Nada de nada. Não, não lamento nada. Pois minha vida, pois minhas alegrias, hoje, começam com você!

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Cris: Pois é, Cris. Cada coisa tem o momento certo pra ser feita, dita e reparada. Espero só estar fazendo tudo no tempo certo... Bjus
Da Silva: Não só conheço a oração, como tenho repetido ela como um mantra, diariamente!
Pimentinha: hauhauaua... obrigado pelo elogio, mas só apenas coisas que estão aqui guardadas. Penso que o mapa sentimental de todo ser humano daria um livro... inclusive os seus, que acompanho no blog também! ;)

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

"Só vou perguntar quando for a hora"


No que depender de mim, não serei propositalmente influente em suas escolhas. No que depender de mim, serei paciente com suas atitudes. Quando vier a mim, não me pergunte o que me aflige. Só posso responder com uma pergunta, que só farei quando chegar a hora.

A vida tem um plano pra você. Sim, todos nós somos especiais, e estamos aqui por um motivo. Pode ser que você seja justamente aquela pessoa que não vai deixar a outra pessoa morrer. Ou aquele que vai ensinar como ser mais amável, para alguém rude. Pode ser, ainda, que sua história trágica inspire outras pessoas a agirem da maneira correta. O fato é que todos nós estamos onde devíamos estar. E quando isso deixa de ser uma verdade, a vida trata de nos mudar de posição, e nos coloca novamente onde devemos ficar.

Tudo mudará, no momento certo. Na hora certa. Aceitação é uma palavra difícil, e pra mim, ela sempre foi muito pálida. Particularmente, creio que para o ser humano a aceitação é uma forma complexa de apatia, um pouco mais rebuscada. Sentimos a necessidade de respostas imediatas, queremos fazer as perguntas nos momentos inapropriados. Queremos ser ouvidos com plena atenção e ter nossa angustia aplacada. Justamente, por isso, vence que tem paciência!

Manter a calma e a tranqüilidade enquanto tudo caminha é uma forma de descobrir qual o significado da vida. Foco na solução, e não no problema. Se hoje as coisas não estão como você acha que deveriam estar, aceite, espere e observe. Você verá que elas estão como REALMENTE deveriam estar. Pois isso é equilíbrio, e ninguém tira proveito de nada. Puxar sua balança para um lado, exageradamente, é buscar, no futuro, que o outro lado da balança te puxe, para que retorne ao ponto correto. Equilibrado. Harmônico.

As pessoas que atingiram a felicidade plena, real, só o puderam por serem pacientes. Estavam na hora e no lugar onde deveriam estar. Fizeram o que tinham que fazer, o que vieram para fazer. E assim obtiveram êxito. Receio que este seja o verdadeiro caminho para a felicidade. SER, e não apenas ESTAR.

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Mãeteiga Derretida: Obrigado! ^^ Amar Adolescentemente é bom. Mesmo sem retorno, por que deixa feliz o coração. Mas há de ser o que tiver de ser. E eu vou estar aqui esperando. Bju pr'ocê, te amo muito também! :*
Roseli (minha mãe! o.O): Maga, mestra, "ídola"... vejo uma nota de esperança nessa frase, quando se diz "dizem que são tão belas". É como aquele que sabe que pra se ter um amor verdadeiro, tolera os tombos, pra se chegar no amor real. Não que já tenha experimentado, mas por que disseram. É nesse clima de esperança que se aguarda... gosto disso... Te amo, mãe!
Tiago Lott: Ah! Esse filme vale a pena. É simples, sutil, delicado e muito profundo... eu adorei! ^^ Abrax, man!

sábado, 19 de setembro de 2009

Paixão Adolescente é assim mesmo... um dia passa?



A melhor coisa que se aprende na vida, é que o que realmente importa é amar e ser amado “in retourn”.

Duras palavras para quem ama adolescentemente. Duras palavras para quem sonha, e se apaixona, e espera o sentimento em retorno, e ele não vem... ou não pode vir. Duras palavras para poetas e pintores, que investem em seus trabalhos, práticas, matéria prima, inspiração e lágrimas. E a obra pronta o fita com dúvida, ou insensibilidade.

Não sei se aprendi a melhor coisa da vida. Não sei se aprendi a só me apaixonar em retorno. Se todos pensassem assim, ninguém amaria. Fato! Estaríamos todos esperando o primeiro amor vir, para amar depois. E para cada um que amasse, o amado amaria em retorno, e ambos se anulariam. Restando um oceano de mal amados pelo mundo...

Por isso eu me apaixono sem pedir retorno. “Adolescentemente”, ou incondicionalmente, quando quero, quem eu quero, independente das diferenças ou dificuldades. Amo como poeta. Amo como pintor. Amo e escrevo este amor e desenho ele também. Amo e jogo tinta numa tela para desvendar aqueles cabelos longos em azaléias aquareladas... Amo e jogo letras num papel, para desvendar aquele sorriso em algo semelhante a Tom Jobim...

Amo e sinto as duras palavras que um dia disse: “... em retorno”. Pois o retorno nunca vem quando a gente pede. Nunca está quando a gente precisa. Eis a divina e infernal história duma paixão. “Ele é fogo que arde sem se ver... é ferida que dói e não se sente... é um contentamento descontente...”

O clipe acima mostra cenas do filme "ABC do Amor" (título original: Little Manhattan). É um tapa na cara de quem acha que sabe o que é o amor ou a paixão...

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Cáh: Parece que não foi dessa vez! =/ Mas nada mal pra primeira, não é? Adolescentes são assim mesmo... rsss

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Well, maybe I’m in love... Accidentally in love


E eu confesso que estou gostando muito de você. Fica assim, no ar, um cheiro doce de bolo de chocolate, mesclado com um clima de festa, brincadeira. E o tempo que passo contigo é tão precioso, tão intenso, que até prefiro esconder este meu sentimento. Penso que seja melhor deixar isso tudo, assim, subentendido. É “como uma idéia que existe na cabeça, e não tem a menor obrigação de acontecer”.

Eu acho isso tão gostoso, tão perigoso. É como andar como uma bomba amarrada ao peito, correndo o risco de você descobrí-la e apertar o botão... E essas borboletas no estômago me tornam uma criatura de sentimentos confusos, e voz tranquila. Traz pra minha vida uma beleza tão sublime e pura, tão fugaz. Ter você “é uma idéia que existe na cabeça, e não tem a menor pretensão de acontecer”.

Pode ser que você chame isso de fraqueza. Que considere que eu deva me declarar abertamente, mesmo correndo o risco de ter um “não”. Não me importo, realmente, com isso. Se quiser, que chame isso como melhor lhe convir. Pois o simples fato de ter novamente este sentimento adolescente no peito, me dá tamanha alegria, que não há o que se dizer...

Se amanhã ou depois, eu descobrir que este sentimento surgir no meu peito, foi inútil – caso ele não surja em você também – caberá só a mim esquecer. Dentro da intimidade do meu coração “o que eu ganho, o que eu perco, ninguém precisa saber”.

Inspiração: “Apenas mais uma de amor” (Lulu Santos)


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Karla Moreno: Nooossa! Você tá viva! o.O rsss... seja "re"-bem-vinda! Apareça sempre! ^^
Cris: Aeeeee! Até a Cris tá na net? Isso aqui tá virando a Casa da Mãe Joana, mesmo! hauhauahu... zueira, linda... aceito as beijokas, até mais!

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

The greatest things you'll ever learn



There was a boy,
A very strange, enchanted boy.
They say he wandered very far, very far
Over land and sea.
A little shy and sad of eyes
But very wise was he…

And then onde day,
A magic day he passed my way,
And while we spoke of many things,
Fools and kings,
This he said to me:

"The greatest things, you'll ever learn, is just to love and be loved in return"
Existia um garoto,
Um garoto muito estranho e encantado.
E sua mente viajava longe, muito longe,
Além da terra e do mar.
Um pouco tímido e com olhos tristes,
Mas muito sábio ele era!

E então um dia...
Um mágico dia, ele cruzou meu caminho.
E enquanto conversávamos sobre muitas coisas,
Tolos e reis,
Ele me disse isso:

“A coisa mais importante que você irá aprender, é amar e ser amado.”



"Nature Boy" foi escrita por Eden Ahbez, e publicada em 1947. Narra a história de um "estranho e encantado rapaz... que pensava muito longe" apenas para aprender que "a melhor coisa... é amar e ser amado". Em 1948, Nat Cole transformou esta música em um dos maiores hits, e "Nature Boy" permaneceu no topo das paradas pop e jazz, com dezenas de grandes artistas regravando-a (Celine Dion, Cher e Caetano Veloso inclusos).

A melodia de "Nature Boy" pode ser ouvida claramente em múltiplas passagens do Quinteto para Piano No.2 em A, Opus 81, de Antonín Dvořák (1887). E o conteúdo da música é baseado na história de um grupo de Los Angeles, da década de 40, chamado “Nature Boys”, do qual o próprio Ahbez foi membro.

O videoclipe acima foi extraído do terceiro álbum da banda Gorillaz, e trata-se de um remake de “Nature Boy”. Veja-a em outras versões também, como um exercício vocal para a aula de canto, ou na melodiosa voz de Karolina Pasierbska (meu predileto), ou na voz de Kurt Elling (um dos maiores nomes do jazz) com participação da Orquestra Sinfônica de Sydney (Austrália)

Tudo isso,
só pra dizer,
que “eu aprendi
a coisa mais importante
que se aprende”
na vida...

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Anônimo: (risos) Como você pôde ver, as coisas estão ficando cada vez mais complexas por aqui... =/ Desculpe a demora na resposta... ela irá, quão breve eu consiga me organizar por aqui. Beijos!
Tiago Lott: Mas olha, vou prometer pra mim (pela enésima vez) que "segunda que vem" eu vou chegar no horário e começar uma nova dieta de pontualidade!

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Momentos Fail - eles existem, e acreditam no seu potencial

Explicações, às vezes, são desnecessárias. Existem momentos em que elas, ou suas parentas mais próximas, as “justificativas”, são simplesmente inúteis. São situações que autoexplicativas, ou demandariam muito tempo e esforço por parte do locutor para resolvê-la. São acontecimentos com meandros inusitados, ou não, e podem ter mais de um sentido. Bem, eu sou do tipo que tem preguiça de se explicar... de verdade!

Certa vez, depois de falar com muita gente sobre um assunto complicado, e finalmente contar toda a história para mim, minha irmã e eu fomos surpreendidos por uma terceira pessoa, que a questionou sobre o mesmo assunto. Cansada de pressionar a mesma tecla por inúmeras vezes, ela respirou fundo, sorriu consternada, e falou: “Ai... ‘Tô com preguiça de falar no assunto...”. E naquele mesmo instante eu compreendi exatamente o que ela estava dizendo.


Existe um termo, em inglês, geralmente utilizado para definir uma situação que não obteve um resultado esperado. É “Fail” (lê-se: “Fêiou” / tradução aproximada: “Falhou!”). Quando me vejo numa situação em que não adianta dar mais explicações, mantenho o silêncio e repito isso mentalmente: “Fail!”. Estou lambuzado de chocolate, e o chocolate do meu amigo sumiu? Fail! Não tem explicações, mesmo que eu não tenha pego o chocolate dele. Você age diante de mim de uma forma, e longe, eu mesmo vejo que é diferente? Te peguei no pulo? Fail, pra você. Você abre a porta e vê duas pessoas descabeladas, desarrumadas, de luz apagada, com olhar assustado, querendo dizer “não é nada disso que você está pensando?”... bem... Fail, para ambos!

Hoje, me atrasei no serviço, novamente, por exemplo. Chego, em média, 5 minutos atrasado todos os dias, e moro há menos de dois quarteirões do meu local de trabalho. Mas SEMPRE tem algum acontecimento inusitado. Fail! Fail! Fail! Não importa o que eu diga... não importa o que eu faça... quanto tempo eu fique para compensar os horários, ou quão eficiente eu seja. Posso ter tirado a empresa do abismo do esquecimento e estar rendendo lucros alucinógenos aos seus cofres, mas se chego atrasado, não sou bom funcionário, e vão torcer o nariz para mim.

E ontem, por exemplo, meus vizinhos resolveram fazer uma festa no apê. Tudo bem, eu não ligo, a festa foi até as 3 horas da manhã, com som alto e tal. Eu estava sem sono, fiquei no computador, mas fui dormir mais ou menos no mesmo horário, quando a música cessou. Resultado: quase não consegui acordar = atraso = bronca... e eu? “Fail”, cabisbaixo, murmurado baixinho, só pra mim: “Fail! Fail! Fail!”.


"Mas e se eu falhar?" - "Vamos rir de você!"



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Mãeteiga Derretida: Também adooooooooro... principalmente quando é comigo! ^^

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

People Around Me V... E vai que cola!

Ela, Ela2, Ele e Eu... E a gente sabe ser sutil como uma tijolada!

[Ela]: Ai que ódio! Detesto gente que vem com “cantadinha” manjada.
[Eu]: Como assim?
[Ela]: Ahhh... o cara me vira e fala que vai dormir, mas preferia ter alguém lá para ajudar ele a esquentar a cama [¬.¬]
[Eu]: *gargalhadas* Nossa! Que tijolada!
[Ela]: Pois é!
*dois minutos de silêncio depois...*
[Eu]: Ahn... Você vem sempre aqui?
[Ela]: [ù.ú] *Grrrrrrrr*
*dois minutos de silêncio depois...*
[Ela]: E ae... “Tamo aí nessas carne”? [=^.^=]
[Eu]: [ó.Ò]
*depois de alguns minutos de recuperação pós-tijolada*
[Eu]: Opa! “Simbora caí pa dentro”! [=^.^=]
[Ela]: Demorô! [-.o]

[Ela2]: Oieeeeeeee!
[Eu]: Oie! Tá boa?
[Ela2]: Tô melhorada, meu bem! Porque “boa” eu já era... ‘cê não acha?
[Eu]: ôh! [¬.¬]

[Ele]: ... Não sei, seus olhos verdes, rosto jovem, me transparece tanta tristeza...
[Eu]: *olhar melancólico* É... como diria Cazuza, “faz parte do meu show”...
[Ele]: *sorriso* Dá vontade de cuidar de você... *sorriso acentuadamente carinhoso*
[Eu]: *olhando para o céu, cantarolando nervosamente* “Tire suas mãos de mim, eu não pertenço a você... não é me dominando assim...” [T.T]

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Tiago Lott: hummmm... "dificilmente vai querer mais de uma na mesma noite", é? Responde ae... quanto cê calça mesmo? 33?! hauhauhaua... zueira mermão! ^^

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

People Around Me IV... e a gente só fala besteira!


Ela1, Ela2, Ele e Eu, falando sobre “níveis de beleza”.
[Ele]: Eu acho que nunca tive uma mulher que fosse liiiiiiiinda...
[Ela2]: *gargalhadas*
[Eu]: *após uns segundos me dou conta de que Ele e Ela1 “ficaram” há muito tempo atrás*
[Ela1]: (¬¬)”
[Ele]: Eu... Ahn.. Não, é que...
[Ela1]: (ù.ú)
[Ela2 e Eu]: *gargalhadas*



Ela1, Ela2, Ele e Eu, falando sobre “Proporções do Corpo”.
[Ela1]: Dizem que o tamanho do pé de um homem está intimamente relacionada ao tamanho do... “RG” dele!
[Ele]: *irritado* Ahhh... Isso é bobagem! Além do mais, a média do brasileiro é de 14 cm...
[Eu]: *olhar cínico* Ahhhhhh... Já entendi... quanto você calça? 33?
[Ela1 e Ela2]: *gargalhadas*
[Ele]: Não! Calço 38!
[Ela2]: Putz! EEEUUUU calço 38!
[Ele]: (¬¬)”
[Ela1, Ela2 e Eu]: *gargalhadas*



Ela2, Ele e Eu, falando sobre “Física Quântica Sexual”.
[Ele]: Li que o orgasmo feminino produz tanta energia que poderia acender uma lâmpada!
[Ela2]: Também já li.
[Eu]: *interessado* Por quanto tempo?
[Ela2]: Bom... o “momento” dura alguns segundos...
[Eu]: *olhar decepcionado*
[Ele]: *rindo* Por que?
[Eu]: Estava pensando na viabilidade duma Usina de Mulheres...
[Ela2 e Ele]: (¬¬)!!!



Ela2, Ele e Eu, falando sobre “Desempenho Sexual”.
[Eu]: Li que após o orgasmo, o corpo feminino fica pronto para um próximo quase que imediatamente...
[Ela2]: Ahh... Não é bem assim... demora alguns minutos... ninguém é de ferro!
[Eu]: Bom, pro homem é um pouco mais difícil, né!
[Ele]: Ah, é mesmo! Cerca 20 ou 30 minutos...
[Eu]: (o.O) Quê? Tô falando de 10 minutos, no máximo!
[Ela2]: *sorriso maldoso, olhando pra Ele* Ihhhh...
[Eu]: Que coisa, hein! Calça 33 e leva 30 minutos pra voltar pro serviço...
[Ela2]: *gargalhadas*
[Ele]: (ò.Ó)

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Mãeteiga Derretida: É verdade... por isso que adulto casa, né? haauauauhauhau
Tiago Lott: Valeu! ^^
Da Silva: hauhauha... Relax, man! Também filosofo quando bebo. E acredito no que disse também...
Pimentinha: Tão bom vê-la novamente por aqui! ;)

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Sobre tempestades, raios e trovões

Ontem à tarde eu olhei pro céu e vi nuvens negras coroando a cidade. Lembrei-me de velhos medos infantis que insistem em nos fazer parecer crianças. Eu vi um raio cortar o céu, iluminando momentaneamente o local onde eu estava, e segundos depois um barulho ensurdecedor fez minha nuca arrepiar. “Eletricidade... magnetismo... positivo e negativo...” – pensei, numa tentativa racional de colocar meu pavor em cheque. Felizmente a idade adulta me ofereceu máscaras com as quais eu ainda consigo manter certo ar responsável e maduro.

Caminhei apressado para casa, como se fugisse da chuva – ora, que mentira! Eu adoro a chuva quando lava minha alma. Entrei em meu quarto com minha melhor expressão de indiferença, mas quando tranquei a porta, despi-me da mentira, e me encolhi sob o edredom. Revivi a cena do medo que sentia dos relâmpagos rasgarem o telhado de minha casa, me obrigando a se esconder sob a mesa da cozinha ou dentro do banheiro, enquanto o teto desabava...

Para aliviar a tensão, coloquei minhas melhores músicas. Aquelas que me deixam em estado de êxtase e elevação espiritual. Talvez tenha sido este meu engano. Fugir do medo, acentuando meus sentimentos... Acho que vibrei com tal intensidade, que atraí algo ou alguém, espiritualmente. Uma ligação me despertou recobrando o norte, mesmo que do outro lado da linha eu tenha “ouvido” apenas o silêncio. O mais curioso é que isso me lembrou que não sou uma criança com medo de trovões. Não mais...

Assim eu me vi homem, com histórias, passado e destino. Tudo bem que eu seja um homem com medo de trovões... não há nada de mal nisso, penso eu! Principalmente, porque, posso me controlar bem o suficiente para olhar pra cima e dizer: “Bah! É só um fenômeno natural...”. Mas valeu a pena receber uma ligação assim, pois me fez olhar pra cima e ver que a nuvem negra que coroava o teto do meu quarto era muito mais perigosa do que aquela que se debruçava sobre a cidade.
Dias melhores virão... certamente...

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Mãeteiga Derretida: É a velha história do copo meio cheio ou meio vazio, né? O quase também tem dois lados... o lado de quem vai até o objetivo (que droga, faltou pouco), e o lado de quem vê do objetivo (parabéns, chegou perto)... =/ ... Nota: Não consigo comentar no seu blog! =(
Tiago Lott: Acho que tudo o que buscamos é a própria felicidade, não? Expressa numa miríade de maneiras, mas sempre é a felicidade de se conseguir algo...

terça-feira, 18 de agosto de 2009

O que mais me atormenta é este “quase”.

...eu QUASE sei o que eu quero. QUASE sei o que sinto. Eu QUASE sinto o que busco. E eu QUASE sei o que estou buscando... Fico no meio termo entre a sublime sensação do êxtase do tudo criado, pronto e feito. E a depressão profunda da frustração por ter chegado só até ao QUASE.

Quando eu ouço aquelas músicas, eu sinto o QUASE em meu corpo, pulsando, elevando minha consciência, girando meus chackras, fervilhando meu sangue. Meu sistema nervoso QUASE extrapola minha pele, e meus olhos se arregalam. Eu sinto a profusão de sentimentos embebendo-me numa QUASE harmonia profunda e deliciosa. Penso que eu esteja muito perto, bem no “QUASE”, do mergulho no fundo da energia criativa, da energia criadora, das forças que movem o ser humano... do pronfudo...

E quando eu me sento na cama, e ponho-me à meditar, e faço minha prece agradecendo aos mentores espirituais pelas idéias, pensamentos e boas influências... eu posso sentir. E quando eu agradeço àquela força suprema que envolve a todos nós num mar de energias sutis e QUASE imperceptíveis, eu sinto que estou chegando muito perto da verdade. É como se eu pudesse QUASE tocar, mas um véu de ignorância me faz não saber o que estou procurando.

E quando eu me ponho a pensar sobre tudo isso, e a escrever ou desenhar este sentimento, eu sinto que QUASE posso resolver a equação que desvendaria todo o universo dentro de mim. Eu chego sempre muito perto do QUASE, mas algo me escapa. Algo me falta. Uma energia extra, quem sabe contrária, a fim de me completar e me levar ao êxtase profundo. Algo me falta para potencializar este dom e chegar onde eu quero, mas não sei exatamente o quê é.

E repentinamente eu volto para o mundo dos insuficientes cinco sentidos...

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Gabriela Fabris: Pra quem entende!

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Grito Mudo

É que deu vontade de desenhar com palavras. ^^

Cafeína numa xícara.\
Adrenalina na seringa.\
Cigarro pende numa mão,|
Na outra gelo e bebida.|
Sinto ventre na barriga,|
Tua boca e minha língua.|
Unha sua em minha carne.|
Indiferença que invade.\
Dias corridos pela memória.\
Velocidade que me estonteia.\
Sangue preso em minhas veias.\
Drogas, drogas, drogas.|
É tanta coisa que há,|
Tanta gente,/
Tanto mente\
Que não acredito mais.\
E nem se vai acreditar.|
E que chega o sagrado,/
ponto final./
É tanto pesar,|
Rosto que grita.\
Sangue nos olhos.\
Descansar em paz.\

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Karla Moreno: De fato... o maldito método de tentativa e erro. Poderíamos herdar algumas respostas de nossos antepassados, né? Como forma de aprimorar a evolução da espécie... ou no caso... do coração!
Anônimo: Adoro! ^^

quinta-feira, 30 de julho de 2009

... Por que deu vontade!

Pedaços que descolaram de mim e caíram por aqui...

Texto 1 - Manual de Sobrevivência...
Retourn to Innocence (Enigma):

Love-Devotion / Feeling-Emotion

Don't be afraid to be weak / Don't be too proud to be strong / Just look into your heart my friend / That will be the return to yourself / The return to innocence.

If you want, then start to laugh / If you must, then start to cry / Be yourself don't hide / Just believe in destiny.

Don't care what people say / Just follow your own way / Don't give up and loose the chance / To return to innocence.

That's not the beginning of the end / That's the return to yourself / The return to innocence.


Texto 2 - Sex in the City
As horas fustigam minha paciência com sua lentidão e ineficiência perante minha pressa. Passo a passo, aguardo o momento exato, envolto em pensamentos que não me distraem, nem me acalmam. Chegada a hora, explode-se uma miríade de emoções positivas, e me conduzem abaixo pelas escadarias, até o encontro romanceado e bucólico no meio da noite.

Abraços e risos, e beijos e momentos. Destino incerto é verdade, mas nem por isso, triste. A cidade é uma semente, e a noite é o ventre, resultado dessa relação, o prazer, é todo nosso. Do blues e do jazz que nos conduz, aos pensamentos mais elevados de nossa consciência, exprimimo-nos com tamanha excelência, que me marejam os olhos.

Em cada momento, sinto que de soslaio nos observam. É inveja, meu bem! Não se preocupe... tudo isso porque somos felizes. A gente sofre, é bem verdade, mas goza a vida em plenitude. Infinito é meu gostar de você.


Texto 3 - Dupla Personalidade
Dois dragões em duelo secreto sob as montanhas. É um querer bem, sem direcionar a quem, e sem saber de quem ou de onde vem. Busco no prazer minha salvação, mas onde encontra-lo ainda é uma questão... Se não pode ser no passado que não me condena, seria no futuro que me amedronta?

É um prazer saber que estou tão longe assim do mundo, e tão perto de mim. Deliciando-me com minhas doces confusões, e desmistificando minhas infantis ilusões. Revelado estou! Andando nu por uma enxurrada de bons presságios, pensamentos válidos e mais um monte de bobagens que podem me agradar.


Texto 4 - Materializando Sentimentos
De uma caixa de lápis em punho, preparo meu duelo com a folha branca, indiferente. Fria e impessoal, ela não se dá o trabalho de me encarar... pois esta é sua superioridade: ela é pura, e eu não. Carregado de emoções transbordantes, cores vivas em pontas revestidas de madeira, trago no peito um sentimento e na mente uma imagem.

Num ato de pura devoção, me debruço sobre a folha incólume, e despejo minha seiva sobre a celulose processada. Traço a traço, vida se faz, e a cada nova cor vejo o espelho de minha alma sendo refletido pelo papel. Eis que surge a imagem, antes apenas visualizada, agora materializada...

Meus desenhos são partes de mim, expressões de minha vivência, resultados de minha experiência... fazem muito mais sentido como Arte do que enquanto sentimento. Desenhar é necessário. É terapêutico. É autoconhecimento.


Texto 5 - Regeneração
1) Estaquia é uma técnica de reprodução de plantas. A partir de um pedaço (pequeno galho) da árvore/planta matriz, plantado sobre solo enriquecido com alguma solução enraizadora (vitamina B1), obtém-se uma muda. Nem todas as espécies se reproduzem através da estaquia, mas a maioria sim.

2) A regeneração do fígado é conhecida desde a Antiguidade. A mitologia grega conta que, depois de roubar o fogo dos deuses, Ptolomeu teve metade de seu órgão/glândula retirado, e inexplicavelmente estava com ele inteiro algum tempo depois. Hoje, sabe-se que ocorre a regeneração hepática mesmo se retirado até 80% de sua massa.

3) Um processo denominado como autotomia é a principal estratégia de defesa de algumas espécies de lagartos e aranhas. Eles podem desprender-se de partes de seus corpos para se soltarem de um possível predador, quando agarrados, ou para despistá-los (chamando a atenção para o membro que ficou para trás), em uma perseguição. Depois de algum tempo, o membro perdido se regenera.

4) A totipotência é a habilidade de uma única célula (geralmente, células tronco) dar origem à todas as outras células do organismo. Após a fecundação, por exemplo, óvulo e espermatozóide se transformam numa célula totipotente, que após multiplicar-se identicamente várias vezes, começam a se especializar, formando o organismo completo.

5) A planária, um animal plateominto de estrutura celular extremamente simples, e de ciclo evolutivo direto, pode regenerar-se mesmo que lhe arranquem a cabeça.

6) A fênix é um animal mitológico que, segundo as lendas, chegada à hora de sua morte, incendeia-se num ninho e de suas cinzas, uma nova fênix ressurge, para viver mais 97.200 anos.

Sempre há esperança de regeneração... é da natureza, do mito, da mente... tudo pode se curar! TUDO!


Texto 6 - Sócrates, pra que "te quiero"?
Sócrates, o filósofo grego, foi tão foda, que eu acho difícil você nunca ter ouvido falar dele. Se não ouviu, segue uma breve referência (só não conte que eu disse isso pros meus ex-professores de filosofia):

Ele vivia sua vida de verdureiro, tranquilamente, na pacata Atenas, por volta de 400 a.C., quando um amigo seu, muito supersticioso lhe disse: - Mano! Tu tem que conhecer o novo point da Grécia Antiga! É um tal de Delphos! – e lá foram eles para o que prometia ser ‘a maior viagem’. E foi... chegando lá, uma criatura meio indefinida, virou-se pro moço no meio da balada e disse: - Véio... tu é o cara mais inteligente do mundo! – Isso pegou nosso amigo de surpresa, e sem entender direito como poderia ser verdade, ele foi pro único lugar onde ele poderia: onde os caras inteligentes ficavam, a Praça de Ágora.

Chegado lá, ele encontrou uma turminha de mauricinhos e CDFs que se diziam os tais, cheios de conhecimento e os mais espertos do mundo. A “tchurminha” se auto intitulava “Sofistas”. Então, Sócrates, pentelho que só vendo, resolveu pentelhar os caras, assumindo uma postura de “inguinorante”. Papo vai e papo vem, os caras que se achavam “a macaca da bala Chita”, começaram a cair em contradição. Então ele sacou: - Sabe por que sou o mais inteligente do que esse povinho mais-ou-menos? Por que...

SÓ SEI QUE NADA SEI

... e é assim que deve ser! – e assim ele desbancou toda essa galera e se tornou um mito!

De volta pro século XXI, vemos que assumir uma postura humilde não é só “bunitinho pra sua cara”, mas também uma arma poderozérrima contra seus inimigos. Só assim, inflando o ego dos caras, é que você consegue extrair a verdadeira essência deles. E quando encontrar o “algo de podre do reino da Dinamarca”, poder expor tudo isso, falar que o Rei está nu, e ainda empurrar o pretensioso numa poça de lama...

Por isso, eu sugiro: se quer mesmo resolver um problema com alguém, seja cauteloso, paciente, e muito cuidadoso. Explore os recônditos de sua mente, e só então, munido de informações e motivos, você saberá como, quando e onde falar tudo. Caso contrário vira só um bate boca, e você transforma sua vida num episódio patético de Malhação.

As vezes, ao conhecer bem os motivos do outro, você acaba notando que o problema nem era tão grave quanto você imaginava, e consegue passar por isso, tirando de letra! ;)

Mais em: Textos para Reflexão - Sócrates


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Pucci: Essa do limite foi ótima! Já adotei! rssss...
Cah: Bem feito! Os seus textos fazem o mesmo comigo... me sinto vingado! hauhauhuaha

quinta-feira, 23 de julho de 2009

This corner of the Earth is like me in many ways


I know this corner of the Earth smiles in me

Quando entrei naquele bar, vi que ele estava morto. As luzes pulsantes, a música pulsante e a pista fria careciam de expressão. Senti que, de alguma forma, eu poderia contribuir... então deixei que o lugar tomasse meu corpo. A pista chamou minha presença, as luzes me convidaram a viajar e a música possuiu meu organismo, provocando movimentos de uma dança que fluía. Senti que o bar expressava-se através de mim, enquanto minha alma se integrava ao lugar. Eu me tornei uno com ele... o bar sorriu em mim.

Quando entrei no quarto, vi que ele estava morto. A cama feita, janela fechada, roupas sobre a cadeira do computador, careciam de expressão. Eu sabia que era minha vez de dar-lhes vida, e joguei meu corpo sobre o colchão, que me abraçou. O edredom me envolveu num beijo terno e o travesseiro confortou minhas lágrimas. A luz do ambiente se tornou parte de minha mente, e se apagou, pois eu era escuridão naquele momento. Senti que eu era o quarto, pois ele era expressão de mim, e eu dele. Eu me tornei uno com ele... o quarto chorou em mim.

Quando entrei no parque, vi que ele estava morto. Árvores imóveis, grama quieta e brisa silenciosa, careciam de expressão. Soube, no instante em que o vi, que eu deveria contemplá-los. De pés descalços me sentei à sombra da árvore, rencostando-me em seu tronco. De olhos fechados expandi minha consciência e me tornei o parque! Senti a seiva que corria em cada espécime arbóreo ou arbustivo, como se fossem minhas veias. Senti o esforço do trabalho das formigas que desciam sobre meu braço. E minha mente dançou entrelaçada com as musas que cavalgavam o vento... cruzando árvores, aquecendo-se sob o sol, resfriando-se sob a sombra, zunindo num coral de grilos. Eu me tornei uno com a natureza... e eu sorri nela, abrindo com minha mente, uma flor!

Compreendi que posso fazer os bares dançarem e se alegrarem. E que o quarto pode me conceder um sorriso se eu abrir as janelas, acender as luzes e trocar as colchas por uma outra de tom amarelo. A natureza? Descobri que aquele pedaço de mundo está em mim, e eu estou nele. Se eu sorrir ali, ela floresce. E onde eu estiver e ouvir um pássaro cantar, saberei, foi aquele lugar quem o enviou com uma mensagem... um sorriso... para que o verde sorria em mim.

O limite máximo do meu corpo, de dentro pra fora, não é minha pele. É onde eu estiver! Eu sou um lugar. O que eu for, meu ambiente será, pois ele sou eu. Eu mudo o mundo com minha mente. O mundo se expressa em mim, se eu deixar. Eu e o universo somos engrenagens da mesma máquina, órgãos do mesmo corpo, centelhas da mesma alma. Somos um.

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Obrigado pelos comentários! E vamos comentá-los, então...

Duas Caras: Foi minha intenção jogar meu íntimo pra fora, amigo. Acho que acabei conseguindo... rssss... me livrei do peso que carregava! ^^
Anônimo[1]: É... você tem razão. Por isso me sinto tão livre agora.
Anônimo[2]: Explicações desnecessárias, eu suponho! rssss... Mais claro que já fui contigo, duvido que precise de mais detalhes! ^^ Em todo caso, você sempre lê minha alma antes que eu diga "olá", então acredito que tudo esteja explicado, explicitado, resolvido! Bjus! ^^
Pucci: Nascemos pra ser viscerais, meu anjo, você sabe disso! Tomamos tombos, rasgamos o peito, e nos metamorfoseamos em algo muito mais etéreo e sublime. Já somos felizes! ^^
Cah: Voltei! Voltei pra ficar. Pois não ser eu nunca esteve nos meus planos, e sei que você sente bem o que é isso. Mas este casulo feio que me envolveu foi necessário. Agora estou aqui! Contigo, também. É o amor... fazer o quê?! rssss
Da Silva: Exorcizado, catequisado e domesticado! rssss... Muito obrigado chefia. E sim, escrever é terapêutico A LOT!
comme des habitudes: "Merci"! ^^

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Rebirth!


Estou me despindo de minhas folhas de outono, entrando em rigoroso inverno. Como na parábola da águia que se isola e se mutila, para que nova penagem, bico e garras lhe cresçam mais fortes e majestosos, estou em recolhimento. Para aqueles que me conhecem pessoalmente, e acompanharam minha história nos últimos meses, reconhecem este meu momento, descrito nos posts dos textos que nomeei “Um Pouco de Tudo”.

Para quem não me conhece, nem a minha história, talvez não compreendam os “símbolos” que inseri nesta saga. E humildemente solicito: não me questionem sobre estes motivos. Espero apenas que tenham gostado, pois aqueles que leram participaram de fatos reais de minha vida... ainda que simbolicamente. Viram as coisas que, em real, aconteceram comigo. Então espero que compreendam que estou neste clima “espiritual” mesmo, que declarei no último ponto do texto anterior.

Estou em paz, finalmente. Iniciando uma nova jornada que ainda vai me tirar do sério, me fazer ranger os dentes, rir feito criança ou chorar feito uma velha saudosa... O importante, entretanto, é que voltei ao ponto zero de minha vida. Estou tendo uma chance de recomeçar. E é o que vou fazer. Me despi do meu passado, das minhas amarguras, dos meus juramentos de vingança. Me despi do sofrimento que escolhi causar a mim mesmo e escolhi, agora, atravessar a dor sem dá-la mais crédito do que realmente possui.

Paz interior. Se quiserem, chamem assim. ;)

Um Pouco de Tudo XII (Season Finale)

Leia também: Parte I | Parte II | Parte III | Parte IV | Parte V | Parte VI | Parte VII | Parte VIII | Parte IX | Parte X | Parte XI

A cena era bucólica demais para que eu pudesse suportar. Estava inquieto, como Freddy Krueger preso num quadro de Rembrandt. Um feixe de luz do sol poente entrava pela janela do quarto, refletindo na cama e paredes brancas, decorando tudo em tons pastéis. A TV estava desligada, e eu me mantinha sentado à poltrona, tendo ao meu lado um copo d’água, jarro cheio e a máscara de oxigênio para qualquer emergência. Estar no apartamento me trazia maior segurança, tanto emocional quanto física. Mas era também uma prisão...

Uma caixa de papelão aos pés da cama me lembrava, com certo mau agouro, da pressa que deveria ter para resolver aquela situação. Todo o objetivo da minha vida, pelo menos nos últimos meses, estava encerrado dentro daquela caixa. Curioso é que não tinha ânimo para abri-la. Reviver todas aquelas amarguras dilaceraria o pouco de saúde que ainda me restava... mas era um mal necessário.

Solene como quem caminha para a própria execução, me levantei, caminhei até a caixa, e não sem esforços a depositei sobre a colcha branca. Notei que o interior do quarto ficou mais escuro, pois o papelão não refletia a luz tão bem quanto o lençol alvejado. Cada aba da caixa foi aberta, e então contemplei seus documentos... Fotos, e-mails, gravações de vídeo, áudio, fitas, CDs, cartas, memórias de telefones celulares, extratos, armas e digitais... todo um emaranhado de provas concretas de crimes e traições. Todas as provas que eu precisaria para, finalmente, fazer aquela puta loira pagar por suas caprichosas idéias de me fuder. E ela chegou perto. Bem perto. Perto o suficiente para que eu não a quisesse perdoar jamais...

Uma lágrima rolou em meu rosto, a princípio. Contemplei nosso passado, no tempo em que ela foi bela, doce, um anjo. O choro irrompeu de dentro de mim numa torrente que me fazia pronunciar xingamentos obscenos, baixinho. Vi e revi em fotografias os seus olhos expressivos, sua pele branca e sedosa, seu jeito carinhoso. E como criança em pânico, deixei-me derramar o pranto sobre as imagens. E quanto mais me aproximava das fotos dos últimos dias de nosso relacionamento, notei que sua expressão ia mudando gradativamente – e também a minha... percebi como me tornei mais sério, mais velho, mais triste... e ela... doentia!

Depois de algumas horas analisando aqueles arquivos, ouvi uma voz, logo atrás de mim, questionando-me sobre o que pretendia fazer então. Pelo timbre e a cadência ritmada dos sons que sua melodiosa voz emitiam, eu sabia quem era. Suas mãos de pele negra como ébano me envolveram, por trás, pousando sobre meu peito. Enquanto isso, senti seu queixo repousando sobre o meu ombro. Rosto com rosto.

Respondi que ainda não sabia. Não tinha tomado minha decisão. E pedi, se ela poderia me sugerir uma ação sábia. E naquele instante ela o fez: “– A dor é necessária. O sofrimento é opcional...”. Ergui meus olhos para os feixes de luz, e num momento epifanico compreendi. Minhas pupilas se estreitaram rapidamente e eu simplesmente sorri, colocando os documentos de volta à caixa lentamente, e esta de volta ao chão.

Coloquei-me com cuidado sobre a cama novamente e a convidei para se deitar ao meu lado, sorrindo. Seu perfume refrescou-me quando encostou a cabeça em meu peito, e aninhou-se em meus braços, parecendo possuir metade do tamanho que realmente tinha. A luz do sol em seus olhos, ressaltando a cor caramelo, repentinamente me fizeram compreender as motivações do Romantismo.

Foi então que decidi: “A dor virá àquela que um dia foi um anjo. Com ou sem minha vendeta, ela pagará, pois se embrenhou em caminhos tortuosos. E o sofrimento que eu causaria, não seria útil. Dele, ela não aprenderia nada, ou somente alimentaria seu rancor. É melhor esquecer, e seguir em frente...” – senti do fundo de minha garganta um alívio a me emocionar. E meus olhos se abriram, não fisicamente, mas dentro de minha alma. E eu contemplei a calma. Senti, enfim, a paz interior de que aquele novo anjo em meus braços já gozava... então a beijei com um sorriso nos olhos e carinho nos lábios. E ali mesmo, a amei...

Minha doença? Aprendi a respeitar. Ela tem me imposto limites cada vez mais estreitos, anunciando meu final precoce. Encurrala-me em mim mesmo, lentamente, e me levando não mais para o abismo dos mortos... mas sim, para a sublimidade daqueles que vivem eternamente entre os deuses. Aprendi, enquanto sentia meu corpo unido ao de meu real anjo, formas de saltar sobre as muralhas e correr livremente pelas campinas além. Transcendi a mim mesmo, metamorfoseei-me. Essa dor física, ainda dói... apenas escolhi não sofrer mais.

Sob meus braços e beijos, fitei ela sorrindo. Sorri em retorno. Sentia paz. Sentia luz. Seria esse o famigerado perdão? Não sei... só não me abalava mais... nada mais.

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Kakau Moreno: É a emoção! rsss

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Um Pouco de Tudo XI

Leia também: Parte I | Parte II | Parte III | Parte IV | Parte V | Parte VI | Parte VII | Parte VIII | Parte IX | Parte X
Abri os olhos, não consigo mais fechar.
Assisto em silêncio até o que eu não quero enxergar...

Meus olhos se abriram repentinamente, enquanto meu coração acelerava e enviava a adrenalina por todos os meus vasos e veias. Sentia-me pleno em minhas forças, como se estivesse novo (de novo) e perscrutei o quarto ao meu redor, ávido por informações. Era o mesmo quarto de hospital, que os putos me fizeram o favor de deixar sem calendários ou relógios – o que dificultava a minha “localização” no continuum do tempo.

Não bastasse o pânico de não saber onde (e quando) eu estava, quando virei o rosto para verificar o outro lado do quarto, vi a única pessoa do mundo que não gostaria de ver. Sentada numa poltrona reservada para visitas, no canto da sala, sob uma fraca penumbra, ela lembrava a imagem enegrecida de um vampiro à espreita. Senti um frio percorrendo a espinha. Devoradora, me fitava com aqueles olhos brilhantes por de trás de cabelos louros, mas a boca fina não exibia mais um sorriso malicioso. A julgar pelo tremor em seu queixo, diria que estava chorando.

E estava chorando sim, embora fragilidade não combinasse com seu estilo. Começou a me falar dos momentos felizes em que passamos juntos, das viagens, das pessoas, dos beijos e das noites tórridas. Confessou seu amor, admiração e devoção por mim, dizendo-se muito inferior a tudo isso. Afirmou, ainda, que embora sua vida estivesse direcionada a outra pessoa hoje, sentia todo o amor por mim. No ápice emocional daquele momento, levantou-se e se atirou em meus braços sobre a maca... e chorou mais.

Não pude conter meu coração, e acariciei seus cabelos louros, tentando suprimir aquele sofrimento. Seu cheiro, sua voz, e o seu abraço, mexeram comigo novamente. Meu peito apertado me fez lembrar da dor de tê-la perdido para o mal caratismo, para o crime e para tudo o que ela havia se tornado. E lembrando-me destes detalhes, o instinto de sobrevivência me alertou, e todas as suas sirenes soaram ao mesmo tempo, mais uma vez.

Argumentei que, embora tivesse me preocupado no passado, hoje não conseguia acreditar em sua repentina conversão – ainda pedi desculpas por pensar assim, como se ela não tivesse feito nada para que eu chegasse a estas conclusões. E com todos os crimes que ela tinha cometido, inclusive contra mim, eu não poderia fazer mais nada. Sabia que ela havia sido a autora do meu sofrimento... da minha infecção. Então como eu poderia confiar, ou mesmo amar, alguém que me fez tanto mal?

E naquele momento, meu corpo, expressão dos meus sentimentos, passou mal, reforçando tudo isso. Ela me pareceu surpresa. Talvez me subestimasse, e não pudesse ter certeza de até aonde iam minhas ligações. E eu ratifiquei que não haveria chances de perdão ou de volta, e neste instante, compreendi mais uma vez algo sobre ela. Algo que nos diversos anos em que estivemos juntos, eu não tinha percebido: eu era usado.

Assim que recusei sua proposta de retorno, senti sua ira pesando sobre minha pele. Seu rosto se converteu em uma ameaça assombrosa, e sua voz tomou um tom profético quando jurou vingar-se... me perguntei: mas de quê, Deus? Àquela altura, eu não conseguia mais refletir. Meu organismo reclamava novamente. Talvez o estresse daquele momento tivesse potencializado o poder da infecção, e no minuto seguinte eu já encontrava a escuridão de um outro desmaio. A fragilidade não combina com meu estilo, mas naquele momento quis chorar...

Ainda me acho um idiota por ter visto uma centelha de bondade naquele coração negro e gelado. Eu que não sei ver maldade, jurei que ainda havia resquícios daquela pessoa boa que amei. Ledo engano. Nunca houve. Ela só foi “boazinha” enquanto precisava de mim para satisfazer seus caprichos... e agora, não era diferente. Me culpei: será que só me envolverei com piranhas safadas como ela? Putas que só vão me usar, sugar minha vida, e me deixar inútil no chão?

Eu que não ser ver maldade...


OBS: Só aqui você vê um trecho de Sandy e Marlin Manson decorando o mesmo post! ;)


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Kakau Moreno: E você traduzindo meus momentos em palavras... rsss
Desarranjo Sintético: Paranóia ou Instinto de Preservação? Vai saber... rsss...

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Um Pouco de Tudo X


Leia também: Parte I | Parte II | Parte III | Parte IV | Parte V | Parte VI | Parte VII | Parte VIII | Parte IX

Um barulho contínuo, linear, e irritantemente agudo, começou a soar longe, me trazendo à luz da consciência. Eu vi a imagem de relógios, despertadores... mas também lembrei que o meu não fazia um som como aquele. Senti um gosto ferroso por toda a boca. E o barulho foi ficando mais nítido, e o som de vozes gritando também. Foi quando, no meio da balburdia, pude discernir uma frase: “...assistolia... traz o reanimador!”

Insólita como foi essa frase, foi a minha consciência tomando meu corpo imediatamente. Emergencialmente. Com um solavanco reuni minhas forças da maneira mais rápida que pude e inspirei. Penso que cheguei a ficar sentado na superfície acolchoada em que estava, e um ar frio entrou pelas minhas vias aéreas rasgando minha traquéia e inflando meus pulmões. A dor que senti era tanta, que tive a impressão de que meus pulmões pudessem estar completamente vazios naquele momento, como uvas passas, e receberam muito ar... de uma vez. Uma singela compaixão para com o choro dos recém nascidos se abateu sobre mim: será que é essa dor que sentem e choram?

Abri os olhos e vi as expressões de surpresa no rosto de cinco ou seis pessoas vestidas de branco. Não tive como fazer ou dizer mais nada, porém, pois foi como se uma onda de desânimo e fraqueza tomasse meu corpo no mesmo instante, e eu me senti tonto... O barulho agudo deixou de ser contínuo, tornou-se intermitente, como um pulsar. E eu praticamente implodi, deixando-me cair sobre a maca, exausto, arfante.

Uma pequena lanterna foi usada para examinar minhas pupilas, e a luz branca pareceu fazer cócegas dentro de minhas pálpebras. O médico, um tipo alto e forte, de ombros largos, extremamente branco e de cabelos ruivos raspados baixo, como se fosse do exército, falou algo sobre “vírus” e “parada respiratória”. Eu não compreendi absolutamente nada, e em seguida nem fiz mais questão de entender... algo havia fisgado minha atenção.

Num canto da sala, vestida com um jaleco branco, reunida ao grupo de residentes, eu vi ela: boca rosada de lábios finos no formato de um sorriso sinistro, nariz pequeno e ligeiramente arrebitado, olhos expressivamente claros, sobrancelhas arqueadas como devem ser as do demônio... e cabelos louros que lhe emolduravam a face. Um desespero se abateu sobre mim, enquanto não conseguia sequer articular uma frase.

Desmaiei. Inseguro e amedrontado, rodeado pela escuridão. Estava preso dentro de meu próprio corpo, com uma víbora a rastejar ao redor de meu repouso. O que mais ela poderia tentar, agora que estava na mesma sala? Por que não me deixava em paz?

Eu que não acredito em Deus, rezei. E parece que, talvez, ele tenha algum apreço por mim. A imagem reluzente de um anjo de pele negra surgiu, e cantou para me acalmar. Hilário, é que o anjo me cantava um blues... uma lágrima rolou de meus olhos, confiante de que ninguém deixaria “cabelos louros” me fazer mais mal algum.

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Pimentinha: hauhauha... sobre os detalhes, é o mal de ser observador. A gente acaba vendo cada coisa estranha, notando cada detalhe, que depois fica difícil explicar as coisas sem fazer essas associações. É como falar por parábolas... (xiii... outra associação)
Duas Caras: Ahhhh... a maldita da criatividade. Se eu pego ela, juro que esgano! Ela tem me faltado nos últimos dias... semanas, para ser exato. É difícil ter um serviço que depende disso... pq não fui ser médico?
Cáh: Owww dó! Pecadinho... eu explico depois... rsss

terça-feira, 16 de junho de 2009

Um Pouco de Tudo IX

Leia também: Parte I | Parte II | Parte III | Parte IV | Parte V | Parte VI | Parte VII | Parte VIII

Cheguei a seu apartamento com certo constrangimento, confesso. Nos últimos dias eu vinha abandonando gradativamente parte de minha essência. Por exemplo, não mais sentia a necessidade de me expressar da forma tão inconseqüente, e agora podia, sim, manter a calma em diversos momentos que antes me tirariam do sério. Ter uma hora marcada para deixar tudo e sumir, modifica alguns pensamentos. Por isso, até o constrangimento parecia ser um sentimento novo para mim. Tudo era novo, afinal...

Parado sob o batente, observei a sala pequena, com uma bela rack, TV, um sistema de home teather, e outras estantes. Quadros de altíssimo nível estavam pendurados pelas paredes e sua coleção de CDs e DVDs era tão magnífica, que não percebi que nem conseguia andar, de tão fixa que estava minha atenção sobre eles. Anexa à sala, uma copa exibia um pequeno bar abarrotado de boas garrafas, copos e um frigobar. A iluminação da casa era baixa, acentuando os móveis de madeira escura e maciça. Elegância e simplicidade.

Sorrindo, lindamente, ela me convidou para entrar e fechou a porta às minhas costas. Ligou a TV num canal de entrevistas qualquer daquela madrugada, e me ajudou a retirar a jaqueta. Do lado de fora, a chuva fria ainda castigava o bairro todo, muito humilde por sinal. Pediu que eu ficasse à vontade, e notando um cinzeiro sobre a mesinha de centro, perguntei se poderia acender um cigarro. Ela aceitou e a vi retirando seu próprio maço da bolsa. Sentados, conversamos por alguns minutos, enquanto fumávamos. Relaxamento total...

Falamos de várias coisas, entre elas, minha admiração por sua beleza, seu gosto musical, sua voz. Ela sorriu de forma debochada – não por arrogância, mas por que seu jeito era realmente lindo assim. E me convidou para conhecer mais sobre ela. Me mostrou seu pequeno e apertado estúdio, improvisado num dos quartos do apartamento. Além de sua cozinha – e confessou ser uma péssima cozinheira. Então me ofereci para preparar algo para nós, e ela aceitou.

Tomei a liberdade de buscar em seus armários e notei que havia o suficiente para uma refeição simples. Preparei um Goulash, bem temperado, e ao creme de leite. Quando me viu picando os ingredientes, numa sintonia quase sobre-humana, ela buscou aquele que eu classificaria como o melhor Cabernet Sauvignon que já experimentei.

A refeição naquela madrugada nos aqueceu, junto com o vinho e o jazz que ela me mostrava com empolgação. Nalgumas partes da música, ela acompanhava de leve com sua voz de veludo negro, fazendo com que os pêlos de minha nuca se eriçassem. Talvez fosse a fina erva que compartilhávamos, ou o conjunto de todas aquelas experiências sensoriais. Mas para mim, havia uma única explicação para seu talento: ela era divina...

Fiz amor com ela naquela madrugada a fora, com o respeito de quem fornece a própria energia a uma Deusa. Regozijava-me ver e sentir todo seu prazer. E sua pele negra em contraste com a minha, muito branca, foi o ápice da beleza daquele quadro. Fui obrigado a render-me a Sebastião Salgado: a monocromia me trouxe todo o sentimento de liberdade e prazer.

No dia seguinte, por volta das 13 horas, cheguei em casa e dormi um pouco mais. Feliz.

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Pimentinha: Espero ter ajudado! Que bom! ^^
Da Silva: Agora você acaba de tornar as coisas mais difíceis! rsss... o que vou fazer com ele agora?
Karla Moreno: O Blog está se tornando pequeno demais para meus berros. Acho que vou começar [voltar] à desenhar... pintar... sei lá! Devaneios...