terça-feira, 16 de junho de 2009

Um Pouco de Tudo IX

Leia também: Parte I | Parte II | Parte III | Parte IV | Parte V | Parte VI | Parte VII | Parte VIII

Cheguei a seu apartamento com certo constrangimento, confesso. Nos últimos dias eu vinha abandonando gradativamente parte de minha essência. Por exemplo, não mais sentia a necessidade de me expressar da forma tão inconseqüente, e agora podia, sim, manter a calma em diversos momentos que antes me tirariam do sério. Ter uma hora marcada para deixar tudo e sumir, modifica alguns pensamentos. Por isso, até o constrangimento parecia ser um sentimento novo para mim. Tudo era novo, afinal...

Parado sob o batente, observei a sala pequena, com uma bela rack, TV, um sistema de home teather, e outras estantes. Quadros de altíssimo nível estavam pendurados pelas paredes e sua coleção de CDs e DVDs era tão magnífica, que não percebi que nem conseguia andar, de tão fixa que estava minha atenção sobre eles. Anexa à sala, uma copa exibia um pequeno bar abarrotado de boas garrafas, copos e um frigobar. A iluminação da casa era baixa, acentuando os móveis de madeira escura e maciça. Elegância e simplicidade.

Sorrindo, lindamente, ela me convidou para entrar e fechou a porta às minhas costas. Ligou a TV num canal de entrevistas qualquer daquela madrugada, e me ajudou a retirar a jaqueta. Do lado de fora, a chuva fria ainda castigava o bairro todo, muito humilde por sinal. Pediu que eu ficasse à vontade, e notando um cinzeiro sobre a mesinha de centro, perguntei se poderia acender um cigarro. Ela aceitou e a vi retirando seu próprio maço da bolsa. Sentados, conversamos por alguns minutos, enquanto fumávamos. Relaxamento total...

Falamos de várias coisas, entre elas, minha admiração por sua beleza, seu gosto musical, sua voz. Ela sorriu de forma debochada – não por arrogância, mas por que seu jeito era realmente lindo assim. E me convidou para conhecer mais sobre ela. Me mostrou seu pequeno e apertado estúdio, improvisado num dos quartos do apartamento. Além de sua cozinha – e confessou ser uma péssima cozinheira. Então me ofereci para preparar algo para nós, e ela aceitou.

Tomei a liberdade de buscar em seus armários e notei que havia o suficiente para uma refeição simples. Preparei um Goulash, bem temperado, e ao creme de leite. Quando me viu picando os ingredientes, numa sintonia quase sobre-humana, ela buscou aquele que eu classificaria como o melhor Cabernet Sauvignon que já experimentei.

A refeição naquela madrugada nos aqueceu, junto com o vinho e o jazz que ela me mostrava com empolgação. Nalgumas partes da música, ela acompanhava de leve com sua voz de veludo negro, fazendo com que os pêlos de minha nuca se eriçassem. Talvez fosse a fina erva que compartilhávamos, ou o conjunto de todas aquelas experiências sensoriais. Mas para mim, havia uma única explicação para seu talento: ela era divina...

Fiz amor com ela naquela madrugada a fora, com o respeito de quem fornece a própria energia a uma Deusa. Regozijava-me ver e sentir todo seu prazer. E sua pele negra em contraste com a minha, muito branca, foi o ápice da beleza daquele quadro. Fui obrigado a render-me a Sebastião Salgado: a monocromia me trouxe todo o sentimento de liberdade e prazer.

No dia seguinte, por volta das 13 horas, cheguei em casa e dormi um pouco mais. Feliz.

Comentando Comentários
Obrigado pelos comentários! E vamos comentá-los, então...

Pimentinha: Espero ter ajudado! Que bom! ^^
Da Silva: Agora você acaba de tornar as coisas mais difíceis! rsss... o que vou fazer com ele agora?
Karla Moreno: O Blog está se tornando pequeno demais para meus berros. Acho que vou começar [voltar] à desenhar... pintar... sei lá! Devaneios...

3 comentários:

Pimentinha disse...

Tu busca cada detalhe que meu Deus... incrível Mateus. :D

E em relação ao q comentou no meu blog, não inveje meu momento, ele não é nada bom, rs.

bjs

Duas Caras disse...

afastar-se da essência tem suas vantagens:

o retorno é sempre muito bom e passamos a fazer coisas fantásticas que não esperávamos fazer...

criatividade é um exemplo: fica uma semana só em provas pra ver

auhauahauahauahaUHAuha

Cáh disse...

é..
não to acompanhando mto bem..
o raciocínio anda tão lento quanto este computadoor...
mas tá lindo... lindamente distante do meu entendimento!

rs

Beijos..
saudades