quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Unsent III



"Unsent" é uma musica de Alanis Morissette onde ela canta trechos de cartas que nunca enviou. Abaixo está meu terceiro "unsent". Coisas que escrevi, mas nunca enviei...

[...] Pouco adiantou apagar meus cigarros, deixar meus palavrões no fundo da garganta, não ouvir mais minhas músicas “mundanas”. Pouco adianta, na verdade, entender teu pensamento, teu jeito, teus defeitos. De nada me ajuda receber você com a sinceridade do que sinto, se você simplesmente não acredita em mim. Se sua visão ao meu respeito é tão limitada a este ponto, eu desisto! Não há nada que eu possa fazer para te deixar mais a vontade, confiante ou seja lá o que for que você queira ouvir ou sentir. Tudo o que eu fizer, você vai perverter, e aí meu bem, não há quem consiga agüentar isso.

[...] Me deixar esquecido na sua agenda telefônica, no fundo do seu coração, como uma conta à ser paga, não é respeitoso. Sei de suas dificuldades em expressar qualquer coisa, qualquer sentimento. Sei de suas dificuldades em colocar pra fora tudo o que sente, e sei que você sente um monte de coisas. Mas fugir para baixo das asas de outra família não vai te livrar da dor que sente por não se sentir bem pela sua própria. Eu quis chegar bem perto do seu coração e te ajudar a se transformar numa pessoa melhor, mas se você não quer mudar, tudo bem. Deveria ter, pelo menos, o respeito devido por mim, na qualidade de ser quem sou.

[...] Se você quer falar de seus problemas e dores, quer meu colo para chorar, meu ombro, ou simplesmente gosta de ouvir minha opinião, então faça isso por mim também! Entenda que tenho necessidade de chorar, de deitar no seu colo e pôr tudo pra fora, mesmo que seja pra você me dizer: “calma, vai ficar tudo bem”. Então não me cobre aquilo que você não pode me oferecer, não queira de mim aquilo que você não é pra mim.

[...] Sim, eu troco você por um copo ou dois de vodka cara. Limpar minha alma chorando nos ombros de alguém, mesmo que ninguém esteja entendendo patavinas do que este degenerado diz, é muito melhor do que sentar na sua frente e não ser ouvido por você. O álcool tem essa capacidade estranha de nos entender, nos abraçar por dentro, e nos fazer chorar horrores... coisa que um abraço também tem poder, mas depende nas mãos de quem. Sendo assim, não me recrimine. Lembre-se que nossa relação deve ser uma troca... e não uma via de mão única.

[...] Cansei de vocês! Cansei dessa suposta benevolência que não me põe comida no prato. Cansei da hipotética bondade que finge me apoiar, mas que está pouco se lixando para o meu bem estar. Cansei de ser a galinha que bota ovos de ouro pra vocês, em troca de meia dúzia de grãos de milho de parca qualidade. Meu talento não é dos melhores, mas ainda assim é mais do que o seus. No que depender de mim, “tô fora” desse galinheiro, foda-se este puleiro, eu vou cantar em outro terreiro. Adeus!

Um comentário:

Pandumiel Tunmarë disse...

Como é bom colocar tudo pra fora, expulsar os demônios e desabafar, seja com o álcool, com um amigo, ou com nossos mais fiéis companheiros: um pedaço de papel e um lápis!

Essa dupla, nos ouve, nos da atenção 100% do tempo e depois nos mostra a verdade. A verdade que já sabiamos, mas sem eles para nos mostrar isso, não acreditariamos...

Vivas ao papel e lápis!
E vivas a verdade que nos liberta desses sentimentos pequenos e nos coloca pra cima novamente!

Prontos para encontrar os desafios e derrubar um por um, com um sorriso no rosto e o coração pulsando de Amor!

Vivas a Você!