quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Yose Ue




Decidi montar meu jardim com aquilo tudo que mais gosto, e depois suspendê-lo, para bem longe desse piso raso no qual a gente vive. Meu jardim é um aspecto de minha própria natureza ou necessidade, e nele haverá muitas árvores centenárias, flores desabrochando, pássaros exóticos.

Em meu jardim os ambientes favorecerão meus hábitos. Como o espaço para meditar à sombra do Pessegueiro em flor, no alto da colina, rodeada pelo riacho e moitas de bambus. Ou o parque de Sakuras, com trilhas em terra pisada, que atravesse uma velha ponte de pedra. E até mesmo uma praia ensolarada, com Palmeiras Imperiais gigantescas. Minha casa, uma singela construção em madeira, no fundo de um vale fresco, será ladeada pelas folhas vermelhas dos Bordos, com um pátio anexo para eu cultivar Juníperos Shimpakus.

E quanto este cenário todo me cansar, vou escalar os degraus da montanha de pedras e Pinheiros, e no topo nevado vou me abrigar numa barraca. E durante a noite, namorando a aurora boreal, vou estar acompanhado do meu bule de chá, observando todo o planeta e imaginando: como deve ser triste viver longe daqui.

Meu jardim não será aberto à visitação. Por isso, um Qirin logo na entrada cuidará para que somente os turistas que mereçam possam subir. Ao longo do caminho até minha morada, borboletas azuis cuidarão de guiar os convidados até seus aposentos. Para percorrer este pequeno paraíso, um longo e branco Dragão perolado será minha montaria, e viverá tranquilamente numa caverna sob uma cachoeira, atendendo somente quando eu tocar minha flauta.

Esse pequeno paraíso será envolto numa bolha de mistério e imaginação, como o Velho Reino de Avalon ou Atlântida. E somente aquele que possui a chave para atravessar a sutil camada mágica que me desliga desse mundo, poderá encontrar os portões do meu Jardim. Aqui dentro, eu brinco de ser feliz, o tempo me obedece, e o amor pode ser sentido respingando por todo lado como orvalho. Aqui, eu vivo a realidade... a “minha realidade”.

Enquanto eu estiver no meu jardim, posso pedir um favor? Apague a luz quando entrar.

Um comentário:

Pandumiel Tunmarë disse...

Ahh, os Jardins secretos do nosso ser... não há lugar mais gracioso, mais espetacular, ahh não há!

Aproveite sua estadia, respire o mais puro ar, onde o tempo não existe, lá você é o que quer, onde pode o impossível!
Renove suas forças!

Saindo de lá, ilumine com toda sua magnetute o mundo cinza e triste daqui de fora...
Brilhe!