quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Ninguém é obrigado

Sabe naqueles dias em que todos os seus dissabores resolvem explodir na sua cara, e você fica com uma puta cara de merda? Sua aura fica cinza, apodrecida, com um aspecto pegajoso... e você só quer reclamar e chorar? Sabe aquela sensação de depressão batendo à porta da sua percepção e um abandono tamanho invade seu peito? Sabe, nesses dias, em que você não sabe qual é a porcaria nessa vida que te mantém vivo e você nem sabe por que é obrigado a continuar vivo? Pois bem, ninguém é obrigado a tolerar você.

Cada criatura no mundo ta vivendo sua vida, prazerosamente ou não, curtindo seu momento. Cada um tem suas próprias doçuras ou amarguras, suas dívidas e dividendos, e é bem assim que a banda toca: cada um que cuide do seu. Ninguém é obrigado a fazer nada por você, nem é obrigado a sequer saber o que fazer. Não é culpa do mundo que o mundo te odeia, talvez você até mereça isso! Ninguém é, nem nunca foi, obrigado a tolerar você.

Entretanto, foi o filósofo Diogo Pires Aurélio, em sua obra “Um Fio de Nada – Ensaio sobre a Tolerância”, quem levantou uma questão sobre o termo “tolerar”. A ambivalência no conceito de tolerância surge na etimologia da palavra, já que “tolerare” significa, em princípio, “sofrer, suportar pacientemente”. Mas também tem a acepção de “sustentar”, no sentido de “alimentar alguém”. De uma forma mais explícita, o radical “tol-“, comum a “tolerare” e a “tollere”, denota a ação de erguer, elevar.

Portanto, ninguém é obrigado a tolerar ou suportar você. Nem você é obrigado a tolerar ou suportar alguém. Mas se você se prontifica a fazer isso, assumindo papéis, aí sim, sua responsabilidade ou quase obrigação (senão a própria) é tolerar.

2 comentários:

Yakamim disse...

Caríssimo Senhor Sináptico,

Nessa época de lutas por aceitação e tolerância, senti falta de uma visão mais política.

Tolerar implica também em não expressar seu ódio. Isso seria agressivo, violento e desencadearia numa ação reversa à ação de alimentar. Isto é, se você não tolera, pode expressar seu furor pela existência do seu próximo, isso resultaria em uma perda de alguma ordem para o intolerado. Essa perda, seria, evidentemente, uma perda em sustentabilidade. Logo, o intolerante estaria, não deixando de dar alimento, simplesmente, mas retirando o que já fora concedido por outros.

Dessa maneira, permita-me discordar, tolerar é obrigação de todos. O intolerante é agressivo. O simples fato de se calar sem agredir, de "sair de perto" para não perturbar ainda mais o caos alheio, já é, seguramente, uma atitude tolerante!

Se me permite minha humilde observação! :D

bj

Pandumiel Tunmarë disse...

Caraca, adorei seu post.
Tenho uma situação em que tenho que tolerar uma pessoa que praticamente depende de mim...
Mas é a vida.
Como diria a raposa: "tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas"

Quero conversar mais com você.
Tem msn?

Abraços!
E parabéns pelo post! `^^´