terça-feira, 14 de setembro de 2010

Por favor, só não pise no sofá!

A gente resolve sair um dia, e passear pelo mundo com uma mochila nas costas. Muitas vezes carregando nada mais do que algumas trocas de roupas, um MP3 com músicas divertidas, alguns trocados e muita coragem. E a gente parte dando tchauzinho, sorridente, para quem fica pra trás – e estes, geralmente choram, nos vendo partir.

Esta cena deveria ser um alerta. Se quando optamos por ir para longe, e os outros choram, é por que a coisa não é boa. Tudo bem que rola um certo egoísmo aí, de as pessoas não quererem que você vá, e querer que você fique sempre por perto. Mas na real, é que quem fica sabe: você está ferrado!

Partir significa recomeçar. É tudo novo. A começar pelo caminho. O trajeto é desconhecido, as companhias são desconhecidas, o local é estranho aos olhos. A comida, a água, o dia, e finalmente, as pessoas são desconhecidas. Mas, sobretudo, os sentimentos que agora pululam no peito, também serão desconhecidos.

Novos laços são firmados. Novas amizades, afetos, e quem sabe até amores. E longe de casa você pensa que pode sufocar o mundo com sua sede de viver, sede de crescer, capacidade de transformar qualquer metal em ouro. Aí, longe de casa, daqueles seres que te reconhecem e lembram dos seus valores, você começa a testar novos valores. Uma enxurrada de “por que não?” surge em cada nova esquina, em cada novo encontro, em cada novo beijo, em cada novo “olá”. E é tudo tão novo, tanto entusiasmo, que quando você menos espera... está longe demais de casa!

E como “casa”, eu me refiro a tudo! Seus valores, suas potencialidades, seu conforto. Você deixa de estar em casa, mas deixa, também, de ser você. Ou pelo menos quem você era. E quando você choca uma realidade na outra, vê claramente: “O que eu me tornei?”. Nesse meio tempo, você percebe que na sua nova casa, todos estão bebendo, curtindo, usando alguma substância ilícita, o som está alto, as pessoas caminham nuas pelos corredores, e todos dizem que são seus amigos... e que a festa está boa...

Uma lágrima de desespero escorre no seu rosto. “Como eu deixei tudo isso acontecer?”. Aí você decide dar uma de louco. Larga tudo e vai embora! Resolve voltar. Abre o sorriso, os braços e o coração. Junta tudo na mochila de novo, pouco se preocupando se vai esquecer alguma coisa. Afinal, você está voltando pra casa... “pra casa”... e só de dizer isso, você se sente emocionado. E vai! Parte novamente, fazendo o caminho inverso.

E bastam cinco dias para você estar embarcando de novo, partindo novamente. Por que percebeu que onde você criou suas raízes não é mais seu ninho. E que agora você precisa encontrar seu caminho. E descobre que retornar para aquele lugar que te deixou tão desequilibrado, também não é agradável. E você chora, dando “tchauzinho” na janela para quem fica, que chora também. Agora você entende.

E quando chega, naquele lugar que agora você chama de “casa”, redescobre seus valores. Vê toda aquela gente e toda aquela bagunça e berra: “Parô tudo!”. Naturalmente, vão te xingar de careta, chato e outras coisas. E estes fetos emocionais vão para a casa de alguém que acaba de se instalar... e vai cometer os mesmos erros que você, por não compreender o choro de despedida de quem ficou. E você coloca a casa em ordem, tentando inutilmente fazer aquilo parecer sua “casa original”. Mas toda vez que você sonha, e diz “estou em casa” no sonho... é naquela primeira casa que você se vê.

Leva um tempo, mas dizem que você consegue criar algo que se pareça com um lar. Lentamente você vai convidando, seletivamente, as pessoas que você julga certas para entrar. Mas impõe algumas leis fundamentais: “- me ame; - cuide de mim; - me respeite; - me deixe te amar; - me deixe cuidar de você; - me deixe te respeitar; - e não pise no sofá. Por que aqui dentro dessa casa, as coisas não são bagunçadas assim, não”.

Um comentário:

Pandumiel Tunmarë disse...

Hum... um mal começo, só pode ter um mal fim...
Mas vc tomou a mais importante das decisões, enfrentar o problema e dar um BASTA!
Agora, sobre regras... hummm regras foram feitas para serem quebradas... então esquece as regras...

O que vc deve fazer é indiretamente impor essas regras, fazer acontecer e ser natural!
Nada de "lista colada nas paredes"! HAHUAHUAH
E o legal é, tem que ser do seu jeito, como te faça feliz! `^^´

Nem todos vão respeitar sempre, mas aí sim vc faz uma lista... Black list! `^^´

E seja feliz! E não deixe que isso aconteça novamente, depende só de você! `^^´