quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Só um hobby


A cultura oriental sempre me fascinou, e seus ensinamentos me permitiram compreender muitas coisas da vida e do mundo. Ainda que todo o sistema seja, em grande parte, metafórico e alegórico, funciona como ferramenta precisa em nossa evolução do pensamento. Uma dessas experiências orientais que me fez compreender coisas importantes da vida foi o cultivo do bonsai.

Para quem não conhece, o bonsai é aquela arvorezinha em miniatura (poucos centímetros de altura), plantada em um vaso médio, mas que imita muito bem uma árvore de tamanho real. E para que uma árvore atinja o aspecto visual de uma arvore velha, mesmo com o tamanho de um pequeno arbusto, são empregadas técnicas especiais como regas periódicas, adubação, e podas especiais em folhas, galhos e até nas raízes – e há uma infinidade de espécies de árvores que podem ser utilizadas para se fazer um bonsai.

Para mais informações sobre a arte bonsai, clique aqui.

O bonsai é, enfim, uma obra de arte que envolve técnica e talento. A técnica é relativamente fácil. O talento vem do bonsaísta, que deve saber observar uma planta miniaturizada e dá-la, pacientemente, a característica de uma árvore adulta e gigante, à medida que ela se desenvolve.

A magia, no entanto, fica por conta de quem cultiva. E em mim, cultivar um bonsai ensinou alguns pontos importantes. Por exemplo, notei que ao observar o crescimento da minha plantinha, me tornava mais atento aos detalhes da vida. Observar brotos novos surgindo, folhas se abrindo, raízes engrossando, pequenas doenças e pragas que se instalavam na copa, solo e raiz... tudo isso me deu uma visão mais detalhista e “holística” das coisas.

Percebi que ao observar um pequeno broto se desenvolvendo, e planejar sua poda para que ele se desenvolvesse e virasse um galho, até que a árvore tivesse o formato que eu imaginava, me ensinou que devo/posso planejar minhas atitudes, e dar forma à minha vida. Assim, quando o pequeno galho ganhava força, eu o direcionava com arames, para que ele adquirisse as características (envergadura) que eu queria... e nossas atitudes também podem ser planejadas e adequadas para que atinjamos o objetivo final.

Hoje, sem meu pequeno bonsai (ele morreu depois que o abandonei! E isso me parte o coração), sinto falta do efeito filosófico que ele causava em mim. Era como uma prece, um ensinamento, uma troca: eu deixava um pouco de mim nele, e ele me dava um pouco de si.

E depois me dizem que isso é apenas um hobby.

Um comentário:

Duas Caras disse...

Bonsai é uma arte muito bela. mas com a correria do dia-a-dia não sei se teria tempo de dedicar míseros minutos para minha planta..

Sei que pessoas que prestam atenção nos detalhes e criam memórias fotográficas tentem a ser mais felizes..

e acho q este momento com a plante é capaz que proporcionar isso!