terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Reais intenções

Se você tem medo de levar choque, então não me toque. Meu negócio não é entorpecer músculos ou causar leves tremores. Comigo são bilhões de volts que descarregamos na atmosfera, causando arrepios nos cabelos e pelos daqueles que passam do outro lado da rua. Um barulho ensurdecedor de trovões que rasgam a movimentada avenida, em horário de pico, com o Sol a pino e o céu limpo. Não sei deixar fluir pouca energia...



Se você tem medo de se queimar, não me beije! Não brinque com fogo. Não brinque com meu desejo ardente de fusão dos meus núcleos em seus átomos. Por que quando beijo, não me interessa se duas matérias não ocupam o mesmo espaço... eu faço caber, encaixo, e vibro todas as moléculas até que tudo se exploda em plasma. Que voltemos ao pó, mas não deixemos de nos queimar...

E se você tem medo de almas, não olhe meus olhos. No reflexo dele você verá o Mundo dos Mortos que existe além desse plano. Verá a maldade pura e desencarnada que espreita cada um de nós, esperando um único segundo para tomar nossos corpos e realizar seus planos diabólicos. Por que eu sei ver os meandros dos sorrisos mais polidos, e isso seria suficiente para nos deixar paranóicos. Mas assim como os mortos, eu sei ser paciente.

Mas, sobretudo, se você tem medo do amor, suma da minha frente. Não gosto de ninguém que não seja tão intenso quanto o raio ou o fogo, tampouco tão misterioso quanto à morte. Quero o amor mais sério e mais puro que puder existir, ao ponto de me confundir o princípio e o fim de mim mesmo, num coração que pulse dentro do meu. Se você tem medo de mim, azar o seu, perdeu a oportunidade de sentir o que é profundidade.

2 comentários:

Pandumiel Tunmarë disse...

Sem palavras...
Linda descrição! `^^´

Marcio Nicolau disse...

intenso.

Se é que carece de definição.